O Papel de Maria na Igreja

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Por: Pe. Francisco Izaú Cavalcante, SCJ.
Neste ano mariano queremos renovar e aprofundar a presença de Maria em nossa vida de cristãos. É impossível ser cristão indiferente ao papel de Maria na gênese de nossa fé, uma vez que ela está mais próxima de Jesus e também de nós. Ela é a realização plena da nova humanidade, que responde ao chamado de Deus, tornando-se uma forma de esperança para todos os seres humanos.

“Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!” (Lc 1,28). Melhor saudação não há! A própria Bíblia nos indica como nos achegar a Maria, pois essa bela criatura de Deus deve ser contemplada a partir da revelação divina que ilumina a mente humana, capacitando-a a chegar ao máximo possível daquilo que Maria realmente é. Só a fé é capaz de conhecer verdadeiramente Maria. Lembremos aqui São José que acolhe Maria, não pelo que viu aos olhos humanos, mas pelo que foi revelado a ele pela fé. Em visão ele compreendeu que o que parecia ser uma desgraça, na verdade era uma grande graça (Mt 1,19-25).  Evidentemente que aqui não estamos colocando Maria acima de Jesus. O Magistério da Igreja nos ensina que:

Na Virgem Maria, de fato, tudo é relativo a Cristo e dependente d’Ele: foi em vista d’Ele que Deus Pai, desde toda a eternidade, a escolheu Mãe toda santa e a plenificou com dons do Espírito a ninguém mais concedidos. A genuína piedade cristã, certamente, nunca deixou de pôr em realce essa ligação indissolúvel e a essencial referência da Virgem Maria ao divino Salvador (…) e faz dela um instrumento eficaz para que alcancemos todos “o pleno conhecimento do Filho de Deus, o estado de Homem perfeito, a medida da plena estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4,13). (Paulo VI; Exortação Apostólica Marialis Cultus, n. 25)

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Maria nos precedeu no caminho da fé! Crendo na mensagem do anjo, ela acolhe por primeira e de modo perfeito o mistério da encarnação. Sua caminhada de fé a leva para a maternidade divina e se aprofunda durante toda a sua existência. Maria demonstra que ao acolher em si a Palavra de Deus, o discípulo é capaz de gerar a vida. Maria ensina os fiéis a viverem num caminho de pureza, reconhecendo o valor da castidade, conduzindo-os a um amor maior ao Senhor e aos irmãos. A Imaculada é para os cristãos um auxílio na resistência ao pecado e um incentivo a viverem como redimidos por Cristo. Maria educa os cristãos a viverem a fé como caminho de compromisso de vida, empenhados em todos os momentos com a prática do Evangelho. Um caminho de fé iniciado na acolhida do mistério da encarnação até ao ponto de colaborar no início da missão de Jesus (Jo 2,1-5). Ela está de pé junto à cruz de seu Filho, a Virgem Dolorosa, mesmo com o coração dilacerado de dor. Ela não se desespera, mas confia em Deus. “Felizes antes são os que ouvem a Palavra de Deus e a praticam” (Lc 11,28). Na Assunção, destaca-se o poder de Cristo sobre a criação e declara-se o destino sobrenatural e a dignidade do corpo humano, chamado pelo Senhor a tornar-se instrumento de santidade e a participar na sua glória. Maria entra na glória justamente porque ouviu o seu Filho e pôs em prática seus ensinamentos. No exemplo de Maria, o cristão aprende a descobrir o valor do próprio corpo e a preservá-lo como templo de Deus, sempre vivendo no horizonte da alegre expectativa da Ressurreição. Maria é Mãe da Igreja por suas virtudes. Mãe é a que gera e que cria. Seus exemplos geram fé em nós e nos estimulam a viver na fidelidade a Jesus (cf. LG 63 e 65). Como Mãe, ela zela pelos seus filhos e sua intervenção não diminui nem ofende a nossa fé em Jesus Cristo. Ela, na verdade, oferece o exemplo mais brilhante e, ao mesmo tempo, mais próximo de nós daquela perfeita obediência com a qual nos conformamos amorosa e prontamente aos desejos do Pai eterno.

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Para que o fieis tenham o proveito frutuoso da proteção e bênçãos de Maria precisam imitar, ao máximo, seu itinerário de vida. Nem a graça do Redentor, nem a intercessão de Maria nos garantirá a salvação se não cultivarmos as virtudes que a mãe do Senhor já demonstrou serem possíveis de viver para aqueles que não são deuses, mas simplesmente humanos amados por Deus. É imitando Jesus Cristo que nos santificamos, mas reconhecemos também que a imitação da Virgem Maria, longe de afastar o fiel seguimento de Cristo, o torna mais amável, mais fácil. Lembra-nos o Concílio Vaticano II:

Recordem-se os fiéis de que a devoção autêntica não consiste em sentimentalismo estéril e passageiro ou em vã credulidade, mas procede da fé verdadeira que nos leva a reconhecer a excelência da Mãe de Deus e nos incita a um amor filial para com a nossa Mãe, e à imitação das suas virtudes. (LG 67).

Com o mesmo “Sim” generoso e incondicional de Maria: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua Palavra!” (Lc 1,38), encontraremos a verdadeira alegria. Uma alegria que não é finalidade, mas consequência da amizade com Deus expressada no serviço.  Concluímos com as palavras do Santo Padre Paulo VI:

A finalidade última do culto à bem-aventurada Virgem Maria é glorificar a Deus e levar os cristãos a aplicarem-se numa vida absolutamente conforme a sua vontade. Os filhos da Igreja, na verdade, quando, juntando as suas vozes a da mulher anônima do Evangelho, enaltecem a Mãe de Jesus ao exclamarem, dirigindo-se ao mesmo Jesus, “Felizes as entranhas que te trouxeram e os seios que te amamentaram!” (Lc 11,27), serão induzidos a considerarem a grave resposta do divino Mestre: “Felizes antes os que ouvem a palavra de Deus e a observam!” (Lc 11,28). (Signum Magnum, n. 39)

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Pe. Francisco Izaú Cavalcante, scj. Religioso da Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus – Dehonianos. Mestre em Teologia Dogmática Pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Professor de dogmática nos Seminários de Caruaru – PE e Campina Grande – PB. Vigário cooperador da Paróquia de São Pio X em Camaragibe – PE.

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