A CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2017 À LUZ DA “LAUDATO SI”

mosaico-cf-2017-01.jpg

A Igreja, como sacramento da salvação, tem a missão de anunciar o Cristo através da pregação, da catequese e de tantos outros meios. No entanto, a evangelização é algo mais profundo e rico de significado que pode ser empobrecido e mutilado dado que a sua natureza deve ser vista dentro de um aspecto mais global. Por isso, evangelizar comporta levar a Boa Nova a toda humanidade a fim de que aconteça a mudança interior ao mesmo tempo nas consciências pessoais e na coletividade. Se não houver mudanças de paradigmas, de julgamentos, de valores, de centros de interesse à medida da Palavra de Deus e seu desígnio salvífico, a evangelização não terá acontecido (EN, nn. 17-19).

michelangelo_-_the_creation_of_man1

“Importa evangelizar, não de maneira decorativa, como que aplicando um verniz superficial, mas de maneira vital, em profundidade e isto até as suas raízes, a civilização e as cultura dos homens […]” (EN, n.20). Obviamente que a evangelização edifica a cultura, não se identifica com ela, apesar de que se serve de alguns elementos seus. A evangelização, portanto, consiste tanto do testemunho vital, antes de tudo, assim como o anúncio explícito e claro do Senhor Jesus, seu mistério, sua vida, sua doutrina, suas promessas e seu reino (EN, n.20-22). A manifestação concreta da adesão do homem a Cristo e suas verdades se explicita na entrada visível numa comunidade de fieis, sinal da transformação e da novidade de vida operadas pela Boa Notícia (EN, n.23).

Outro ponto relevante a considerar é o aspecto social da evangelização. Se ela não atingisse a vida em comum e interrelacional dos homens, assim como acontece no âmbito pessoal, ela seria incompleta. Daí surgir a preocupação com a questão ecológica. Campo também marcado pela interferência dos homens, os quais são chamados a ter uma relação de cuidado com as coisas e não só de servir-se delas. O homem é administrador das coisas de Deus, e deve respeitar a natureza (Cf. LS, n.76-77), evitando a sua destruição, o desperdício de seus recursos sem motivação e as negligências causadoras de danos; quando estes são graves a imoralidade do ato é grave (Lorda, 2001, pp. 98; 100). A mentalidade que considera a natureza como res nullius, ou seja, “propriedade de ninguém” (cf. Id., p. 98), como afirma o papa Francisco na Laudato Si’, juntamente com a de consumismo, dominação e de irresponsabilidade apontam para a violência presente no coração humano, ferido pelo pecado, e pode ser vislumbrada nas doenças que afetam o solo, a água, o ar e os seres vivos (LS, n. 2).

cf2017_biomas01.jpg

“O progresso humano autêntico possui um caráter moral e pressupõe o pleno respeito pela pessoa humana, mas deve prestar atenção também ao mundo natural” (LS, n. 5), haja vista que as coisas possuem também dignidade, ainda que seja menor do que a das pessoas (Lorda, op. cit., p. 99). Destarte, o homem é convidado a aproximar-se da natureza e do meio ambiente numa atitude de admiração, encanto, usando a linguagem da beleza e da fraternidade na relação com o mundo. Este é mais um mistério gozoso a ser contemplado na alegria e no louvor do que um problema a ser resolvido. Por conseguinte, segundo a espiritualidade cristã, um estilo de vida profético, contemplativo, sóbrio e humilde evita a dinâmica do domínio e da acumulação de prazeres desmedida (LS, nn. 11-12. 222-224).

mudas-da-mata-atlantica

Atentemo-nos a dois biomas da nossa região nordestina. Quando detectamos no único bioma propriamente brasileiro, a caatinga, a grandeza de sua biodiversidade, as potencialidades de geração de energia solar, cultivo de frutas, criação de abelhas e extração de mel, e a criação de cabras e ovelhas, damos conta de que esse é um dos biomas menos estudados e mais estigmatizados. As fragilidades também ali presentes, como a desertificação e desmatamento, fizeram com que a Igreja contribua de modo construtivo com o povo inserido nesta região. A mata atlântica, outro bioma riquíssimo, mas que atualmente possui apenas 8,5% de remanescentes florestais visto que se encontra na faixa litorânea, cuja população brasileira ocupa 72% deste território, é marcado por muitos problemas: falta de saneamento básico, degradação do meio ambiente e especulação imobiliária. Cabe-nos encontrar caminhos de reflexão e ação para que, à luz da fé, sejam encontradas soluções que beneficiem a todos (CNBB NE2, Campanha da Fraternidade 2017, p. 27-39).

DSC_0181     caatinga

Autor

Fr. José Valdinã Santos de Jesus, scj.

Religioso da Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus. Formado em Filosofia e Teologia. Residente em João Pessoa – PB, onde atua pastoralmente na Paroquia Virgem Mãe dos Pobres.

Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s