BRE: A missão como ambiente favorável de formação para a Vida Consagrada

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Por Rosinha Martins| 08.09.2015| “O ambiente de missão favorece a famosa regra teoria e prática porque faz com que caminhe juntos os conteúdos de uma espiritualidade encarnada e a experiência prática junto aos migrantes mais pobres e necessitados”. É o que afirma a religiosa scalabriniana, mestra de aspirantes e postulantes, Jakeline Danette.

Em Canoas – RS, quatro religiosas e quatro formandas scalabrinianas assumem o projeto missionário do Centro Social Madre Assunta Marchetti, que tem como objetivo atender os migrantes mais pobres e vulneráveis – que vem do interior do estado para a capital -, proporcionando meios que ajudem na promoção humana como cursos, formação humana e espiritual.

De acordo com Irmã Jakeline o ambiente de missão ajuda as formandas a conhecer o apostolado da Congregação dentro da Igreja. “Esta oportunidade  promove nelas um sentido de pertença a um carisma, a uma obra, e as torna compromissadas com um testemunho que transforma. Além da experiência, colaboram com as Irmãs, fazem com que a missão seja realizada, na medida das suas possibilidades como formandas”.

Para Danette, a missão traz muitas vantagens para a formação das jovens pois elas são confrontadas em relação ao valores, como jovem, na própria vocação, o que ajuda muito no discernimento vocacional. “Elas fazem comunhão com as Irmãs que estão em constante atividade missionária. Tudo que se refere a organização da casa, pastoral, projeto, a missão é assumida como um todo e elas participam conosco destas discussões”.

É na prática do dia-a-dia, acrescenta Irmã Jakeline, “que vou perceber se a formanda adquiriu o valor da acolhida, da hospitalidade, a preocupação com situações de dor, de sofrimento das pessoas. A missão alarga os horizontes no sentido de pensar, de refletir sobre situações que elas estariam habituadas a ver”.

As formandas Yosieli da Silva e Luiza Chimanski contam sobre a experiência no Centro Social Madre Assunta.

“Eu adoro este trabalho porque a minha infância não foi muito fácil e a vida das crianças também não é fácil, e eu acredito que um olhar de carinho facilite a imaginação que possam ter. A criança vive um mundo de imaginação e acho que sua imaginação não deve ser de coisas negativas, mas repleta de alegria, de coisas boas. Isso me ajuda a crescer na minha vocação porque é uma realidade diferente daquela que eu teria na minha cidade e me faz crescer no meu modo de ser, de enxergar a realidade com um outro olhar.

O que me mais me toca e chama a atenção é que esta realidade que é e sempre será presente no nosso cotidiano é invisível aos olhos de muitos, como se não existisse. Tantas crianças sofrem abusos,  lixo é jogado na rua, mas parece tão comum que se torna normal. Em relação à mobilidade humana, é impressionante notar que pessoas com autoridade –  como os governos dos países -, de definir o destino de muitos refugiados e os impedem de seguir os seu sonhos. Estão fugindo de uma realidade de pobreza, de guerra e se deparam com uma realidade de individualismo, de não acolhida. Um bom humor muda o dia! Em todos os lugares vamos encontrar pessoas egoístas, não acolhedoras, ignorantes. Mas como me diz meu pai: não seja mais uma ignorante no mundo”.

Luiza chimanski Gomes, 17, é natural de  Dom Feliciano – RS.  Estuda Teologia no Centro Universitário La Salle em Canoas – RS. No Centro Social Madre Assunta é responsável pelas crianças das 14 às 16h30, todos os dias.

“Nasci em Santa Rita mas meus pais moravam em São Vicente de Kuimba’e. Para estudar fui morar em Santa Rita, e lá conheci as  Irmãs Scalabrinianas e entrei no aspirantado na mesma cidade. Há 2 anos vivo em Canoas como postulante.

Gosto de estar no projeto Social Madre Assunta Marchetti. Me sinto feliz quando os usuários me chamam de Irmã. É muito bom ouvir deles que a nossa presença os ajuda, porque sinto que eles se sentem abertos em contar suas histórias para nós. As mães e as crianças sentem que há um clima de respeito onde as pessoas se ajudam. É muito bom quando temos uma criança no colo. Ela sente o nosso carinho.

Sou responsável da informática com os adultos e nas segundas, quartas e quintas ajudo as gurias a cuidar das crianças. Estando no projeto estamos integradas num plano da Congregação que é estar junto com os migrantes. O fato de trabalharmos num projeto social como formandas nos ajuda a fazer a experiência daquilo que seremos no futuro pois podemos trabalhar o nosso ser para fazermos a experiência de transmitir o amor, o carinho, essa essência da pessoa, que deixa a outra mais contente. Trabalhar como voluntárias, ao mesmo tempo que éassustador para os jovens da nossa idade – porque não somos remuneradas – é um testemunho que os encanta. Se fazemos por amor, o dinheiro não paga o carinho que também recebemos”.

Yosiele da Silva, 20, é natural de Santa Rita, Paraguai. Faz 3º do Ensino Médio, na Escola e acompanha os pequenos e monitora o curso de informática dos adultos no Centro Social Madre Assunta Marchetti.

Por ocasião do encontro das Novas Gerações da Vida Religiosa Consagrada do Sul, Irmã Rosa Maria Martins, mscs, pode conhecer o projeto e partilhar com as formandas, no momento da formação, a experiência de trabalho na Conferência dos Religiosos do Brasil.

Fonte: CRB Nacional

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