Quaresma: Convertei-vos e crede no Evangelho!

Lent

Por: Rodrigo Alves de Oliveira Arruda SCJ

A Igreja celebra a obra salvadora de Cristo em determinados dias, desdobrando o Mistério Pascal por todo o ano litúrgico. Assim, na memória dos mistérios da redenção, coloca os fiéis em contato com a riqueza das virtudes e méritos de seu Senhor, que se torna de certa maneira presente a todos os tempos, e lhes abre o acesso à plenitude da graça da salvação.

A espiritualidade litúrgica não se limita ao momento celebrativo, mas se difunde em toda a vida. Recorda-nos a Sacrosanctum Concilium: “A vida espiritual não se esgota na participação litúrgica” (SC 12); ou ainda que as práticas de piedade “devem se harmonizar com os tempos litúrgicos e se articular com a liturgia, pois dela derivam e são destinadas a conduzir o povo à liturgia, que é muito superior a todas as práticas” (SC 22).

Assim, a Quaresma não é apenas (ainda que inclua) “usar roxo, fazer via-sacra, omitir o Aleluia, não ornar o altar com flores”, mas deve dispor o nosso coração cotidianamente em preparação para a celebração da Páscoa, desde a Quarta-feira de Cinzas até a missa da Ceia do Senhor, exclusive, num duplo aspecto de memória (ou preparação) do batismo e de penitência.

A Espiritualidade da Quaresma

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É tempo favorável para a redescoberta e aprofundamento do autêntico “discípulo missionário de Cristo”. Não é apenas uma conversão moral (necessária), mas uma conversão para Deus. Reconhecer e acolher a iniciativa de Deus que, por amor, reconcilia consigo o mundo.

É tempo de uma escuta mais atenta e prolongada da Palavra de Deus, que lança luz sobre os nossos próprios pecados, nos chama à conversão e infunde em nós a confiança na misericórdia de Deus. Por conseguinte, o cristão ao fazer um sincero exame de consciência não se fecha em si mesmo, mas se abre para a palavra da salvação e se confronta com o Evangelho.

As Obras da Penitência Quaresmal

Jejum

O jejum, na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa, e a abstinência de carne todas as sextas-feiras devem ser um sinal externo da conversão interior. Desse modo, o fiel concede mais espaços à iniciativa de Deus.

Oração

Do mesmo modo, com a oração, o fiel se dispõe mais à ação de Deus, afastando-se da tentação de querer manipular Deus. De modo particular, não podemos esquecer a oração para obter a conversão dos pecadores.

Caridade

A justiça e a caridade são as verdadeiras asceses exigidas. A verdadeira conversão a Deus implica a conversão ao amor fraterno. Assim, a privação (incluindo o jejum corporal) torna-se operante na caridade para com os irmãos.

Quaresma 2015

papa_francisco_quaresmaO Papa Francisco em sua mensagem para a Quaresma deste ano retoma algo já falado outrora: a luta de cada cristão contra a globalização da indiferença. E que não pode ficar restrita a esse tempo, é uma obrigação nossa lutar inspirados que somos pelo brado dos profetas.

Com três passagens bíblicas nos dá um itinerário quaresmal:

  1. “Se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros” (1Cor 12,26): A Igreja.
    • É deixar Cristo nos servir para tornarmo-nos como Ele.
  1. “Onde está o teu irmão?” (Gn 4,9): As paróquias e as comunidades
    • Sermos ilhas de misericórdia no meio do mar da indiferença.
  1. “Fortalecei os vossos corações” (Tg 5,8): Cada um dos fiéis.
    • Rezar na comunhão da Igreja terrena e celeste
    • Levar ajuda, com gestos de caridade.
    • Assumir o sofrimento do próximo como um apelo à conversão.

Campanha da Fraternidade 2015

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O tema deste ano é Fraternidade: Igreja e Sociedade, com o lema: “Eu vim para servir” (Mc 10,45).

Objetivo geral: Aprofundar, à luz do Evangelho, o diálogo e a colaboração entre a Igreja e a sociedade, propostos pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, como serviço ao povo brasileiro, para a edificação do Reino de Deus.

Objetivos específicos:

  • Compreender a situação atual da relação entre a Igreja e a sociedade.
  • Discernir as questões que desafiam a evangelização no serviço eclesial à sociedade.
  • Fazer memória do caminho percorrido pela Igreja em diálogo e colaboração com a sociedade, a serviço da vida e do bem do povo brasileiro.
  • Aprofundar a compreensão da dignidade da pessoa, da integridade da criação e da cultura da paz, em espírito ecumênico e de diálogo inter-religioso.
  • Incentivar as pessoas e as comunidades a exercerem seu protagonismo no contexto social em que vivem.
  • Atuar profeticamente, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para o desenvolvimento integral da pessoa e para a construção de uma sociedade justa e solidária.
  • Identificar os fatores que constroem a paz e o bem comum, para superar as relações desumanas e violentas.
Rodrigo

Frater Rodrigo Arruda SCJ. Mestre em Matemática pela UFPB – Universidade Federal da Paraíba. Estudante do 3° Ano do Curso de Bacharel em Teologia, da Faculdade Dehoniana de Taubaté-SP.

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