BRE: Tempo de Natal: refletindo a Palavra proclamada na liturgia

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 “O anjo, porém, disse aos pastores: ‘Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que o será para todo o povo: Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor” (Lc 2,10-11).

Irmãos e irmãs, celebramos uma grande alegria! Alegramo-nos porque nasceu no mundo o Salvador! O esplendor de Cristo que nos ilumina e nos aquece na ternura do amor de Deus nos abre um horizonte novo de vida e de esperança! Diante do presépio a humanidade se depara com o mistério de Deus que se dá por amor e encontra a sua própria verdade de ser criada e redimida porque é amada.

É Natal do Senhor Jesus! Cantamos que é “festa de alegria, de esperança e luz”. A cada ano vivemos esta festa que nos reúne como família e comunidade para celebrar o nascimento do Filho de Deus que se fez homem. No silêncio da noite fria de Belém, contemplamos o mistério do amor de Deus que se faz um de nós, “que desce e vem” para nos fazer “subir e ir” para o seio da sua divindade. No Natal Deus se humaniza para que sejamos divinizados!

10888745_757881667624286_6028188947452932907_n“Porque nasceu para nós um menino, foi-nos dado um filho” (Is 9,5). No seu hino dedicado ao Emanuel, o profeta Isaías fala de luz e de alegria, cantando os inícios de um tempo novo de felicidade para todo o povo. O profeta canta a profecia de um tempo feliz porque o povo é libertado da opressão e vive o dom pleno da paz. A razão de tudo isto é porque Deus dá ao povo uma criança, o rei salvador, aquele que é o “Deus conosco” que traz consigo a plenitude de uma nova e eterna aliança.

Amigos, nós não celebramos uma recordação antiga de um acontecimento passado. Nós celebramos o mistério sempre vivo de Deus porque “hoje nasceu para nós o Salvador”. Aclamamos com toda a criação o seu amor que recria tudo porque “a graça de Deus se manifestou trazendo salvação para todos os homens” (Tt 2,11). Este é o mistério que nos faz viver “aguardando a feliz esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo” (Tt 2,13).

No Evangelho da liturgia solene da Noite de Natal, Lucas nos ajudou a entender que Cristo não é uma ideia ou um mito, mas uma “pessoa” e um “evento” que está no centro do tempo, envolvido no nosso cotidiano, no nosso espaço e nas nossas vicissitudes humanas. No Menino de Belém, no bebê de Maria e de José, o Eterno entra na história humana. A narração do nascimento de Jesus em Lucas é muito sóbria e possui dois grandes momentos. O primeiro apresenta o nascimento de Jesus no silêncio e na pobreza da pequena cidade de Belém. Já o segundo nos apresenta o anúncio deste nascimento aos pastores, considerados impuros e marginais pela sociedade judaica daquele tempo. Aqui nós contemplamos a estupenda verdade do projeto redentor de Deus, pois é nos últimos que Deus se encarna, é aos últimos que Ele se revela e são justamente os últimos que Ele salva. Com alegria vemos uma epifania luminosa que expulsa a noite e proclama o dom da paz oferto à humanidade amada por Deus.

10355756_758130467599406_617186154540842349_nNo encontro com os funcionários da Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano para as felicitações natalinas de 2014, o Papa Francisco disse que devemos transformar o Natal numa ocasião para “cuidar” de cada ferida da vida e do coração e “cuidar-se” do perigo de muitas faltas. Francisco fez um apelo para que cuidemos que o Natal “não seja uma festa do consumismo comercial, da aparência ou dos presentes inúteis, ou mesmo das despesas supérfluas, mas que seja a festa da alegria de acolher o Senhor no presépio e no coração”.

O tempo do Natal nos ajudará a deixar bem presente na nossa vida que a “festa da pobreza de Deus que se humilhou a si mesmo assumindo a natureza de servo” é uma oportunidade para reconhecermos a opção preferencial de Deus pelos pobres, pelos pequenos e pelos simples. Esta “opção de Deus”, que renovamos “hoje” na liturgia e na vida, é um grito de conversão dirigido à nós e à nossa sociedade consumista e materialista que faz a opção pelos ricos, pelos grandes e pelos prepotentes. Um Deus “que se fez menos” nos constrange com seu amor porque sempre buscamos “ser mais”.

10702141_315492221973851_5250139553545861226_nAproveitemos a liturgia deste Santo Tempo de Natal para nos abrirmos ao dom da paz que precisa do nosso entusiasmo, do nosso cuidado e do nosso compromisso para aquecer o coração de tanta gente que está congelada pelo medo e pelo sofrimento, para encorajar a tantos que perderam a esperança e o gosto de viver e para iluminar os olhos apagados de tantos ‘mortos vivos’ que precisam da luz do rosto de Jesus.

Bom e santo Tempo de Natal para todos nós!!!

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Pe. Gimesson Eduardo da Silva, scj Colégio Internacional Leão Dehon (Roma) Mestrando em Teologia Dogmática na Pontifícia Universidade Gregoriana  

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