BRE: “O que vos digo, digo a todos: Vigiai!” (Mc 13,37)

“O que vos digo, digo a todos: Vigiai!” (Mc 13,37)

Advento: vigilância com alegria e esperança!Advento 3 (1)

A alegre esperança que é própria da nossa vida cristã abre o nosso coração para vivermos os inícios de mais um Ano Litúrgico com o Tempo do Advento. Já no primeiro domingo deste novo tempo somos convidados a acolher palavra de Jesus que nos manda “ter cuidado, ficarmos atentos e vigiar” (cf. Mc 13,33.35.37).

O Advento compreende um período de quatro semanas que abre a cada ano o ciclo das celebrações do mistério de Cristo na vida da Igreja. O ponto de referência do qual emerge o seu significado próprio como tempo litúrgico é a festa do Natal de Jesus Cristo. Ao centro desse período se encontra o “adventus” ou “vinda” do Senhor, tanto aquela “vinda histórica na carne” (Encarnação) como aquela “vinda escatológica na glória” (Parusia). AdventskranzNeste sentido, o Advento nas primeiras semanas é orientado para a vinda gloriosa de Cristo e nas últimas semanas, particularmente a partir do dia 17 de dezembro, concentra-se no mistério do nascimento histórico do Verbo de Deus que se fez homem. A primeira vinda do Senhor inaugura o tempo da salvação, a segunda será a sua plenitude na glória. A primeira é fundamento da segunda e a segunda é o coroamento da primeira. Duas vindas reais e dois eventos históricos que estão intimamente relacionados e que não estão perdidos nem no passado, a primeira, nem no futuro, a segunda. É justamente entre a primeira e a segunda vinda que celebramos na vida da Igreja o único mistério de Cristo, “que veio e que virá”, no hoje da sua vinda constante como Salvador na Palavra, nos Sacramentos, na comunidade reunida, nos acontecimentos do mundo e na vida das pessoas.

10492346_497079923755903_3215165509391332881_n (1)A vigilância, que é própria da espiritualidade litúrgica do Advento, nos coloca numa atitude de “constante atenção”, seja para não perdermos a memória salvífica do Senhor que veio e nos salvou, seja para não perdermos a expectativa do cumprimento definitivo da sua obra redentora na glória. Podemos dizer que nosso “ser cristão” é um “ser vigia” ou um “ser sentinela” porque estamos sempre vigilantes, atentos, cuidadosos, esperando e espreitando “Algo” ou “Alguém” que não nos “deixa dormindo” (cf. Mc 13,36). Infelizmente perdemos um pouco desta dimensão “vigilante” da nossa vida cristã em nosso cotidiano! Quem é que pensa no seu encontro definitivo com Deus seja na morte ou na vinda gloriosa de Cristo? Quem se prepara para este momento? Quem vive uma verdadeira espiritualidade vigilante? Quem procura concretizar “já aqui” no nosso mundo a plenitude de vida “que será” na glória? Estas perguntas nos inquietam e nos fazem refletir sobre a qualidade da nossa vida cristã como vida de homens e mulheres “já ressuscitados” (cf. Rm 6) pela graça do batismo e que aguardam a plenitude “da comunhão com Jesus Cristo, Senhor nosso” (cf. 1Cor 1,9). Por isso o Advento se reveste de um caráter todo especial de tempo que nos recorda que nossa vida é uma “vigilância com alegria e esperança”.

Vigiamos com alegria porque “a graça de Deus nos foi dada em Cristo Jesus” (1Cor 1,4). Somos salvos do poder do pecado e da morte porque “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14), pois “Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna” (Jo 3,16). Somos alegres porque temos uma dignidade dada como prova do amor de Deus por nós: somos “chamados filhos de Deus; e nós o somos” (1Jo 3,1). É essa alegria que nos move na esperança a vivermos já “aqui e agora” uma vida nova que fecunde um mundo novo que terá sua plenitude quando Cristo “for tudo em todos” (cf. 1Cor 15,28). É neste mundo novo do “já e ainda não” que “fazemos acontecer” o Reino de Deus na prática do amor que se traduz na busca da fraternidade, na vivência da justiça, na beleza da solidariedade, particularmente com os pobres e sofredores, e no testemunho missionário do Evangelho. Tudo isso vivemos na esperança “que não decepciona” (Rm 5,5) de que o “Senhor que veio” virá em sua glória “para julgar os vivos e os mortos, e o seu Reino não terá fim”.

Advento 5O Advento é um tempo sereno de uma liturgia alegre e esperançosa. Ele nos ajuda a sermos plasmados por Deus como argila nas mãos do oleiro (cf. Is 64,7). As leituras da Palavra, as orações, os cânticos e todo o clima litúrgico suscitam em nós “a vontade de ir ao encontro do Cristo que vem com nossas boas obras” (cf. Coleta do 1º Domingo do Advento) caminhando na liberdade e no amor até contemplá-lo na eterna glória.

Na alegria do Natal do Senhor e na esperança da sua vinda gloriosa, apesar do ritmo frenético do nosso cotidiano, deixemo-nos tocar pela palavra de Jesus que nos diz “Vigiai”.

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Pe. Gimesson Eduardo da Silva, SCJ Mestrando em Teologia Dogmática na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma

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