BRE: A FORMAÇÃO PARA A VIDA APOSTÓLICA SCJ II

A FORMAÇÃO PARA A VIDA APOSTÓLICA SCJ II

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Experiência e orientações do Magistério da Igreja

O itinerário formativo da nossa Congregação propõe um caminho de formação de religiosos de coração aberto a Deus e à missão segundo o carisma do nosso Fundador Padre Dehon.

Para ser fiel à sua inspiração carismática, a nossa formação dehoniana procura estar em sintonia com a experiência e as orientações da Igreja sobre a formação dos religiosos e das religiosas nos diversos Institutos de Vida Consagrada.

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Um olhar atento para a história da Igreja e da Vida Religiosa nos mostra que o Magistério sempre deu uma atenção particular à formação dos membros das Congregações, Ordens e Institutos religiosos. Porém, com o Concílio Vaticano II (1962-1965) deu-se início a um verdadeiro processo de revisão dos princípios e métodos formativos para que pudessem ser adaptados a partir da inspiração de retorno às fontes do carisma, revitalização da vivência dos conselhos evangélicos e atenção aos sinais dos tempos para uma nova presença e missão no mundo.

Consciente dos desafios do mundo e entendendo-se como sacramento de salvação[1], a Igreja reavivou a eclesiologia de comunhão na qual o Povo de Deus é compreendido como formado pela unidade na diversidade de vocações, carismas e ministérios a serviço da missão. Isto significou um fundamento importante para a renovada compreensão da identidade dos consagrados na Igreja com forte influência sobre o processo de sua formação.

A Constituição Lumen Gentium[2] apresentou a Vida Consagrada como pertencente à vida e à santidade da Igreja[3]. Esta perspectiva eclesiológica fundamenta até hoje o processo de renovação da vida religiosa, particularmente no que diz respeito à formação. O Decreto Perfectae Caritatis delineou uma teologia profundamente radicada no batismo[4], configurada pela prática dos conselhos evangélicos e a serviço da Igreja e do mundo[5]. Os princípios fundamentais de renovação apresentados pelo Decreto[6] são as referências basilares da vida religiosa e do seu processo formativo no período pós-conciliar até o presente momento, particularmente com as atualizações do Magistério realizadas pelos documentos Vita Consecrata[7], Potissimum Institutioni[8], “A colaboração entre Institutos para a formação”[9] e “Partir de Cristo”[10].

A Vida Religiosa, “profundamente radicada nos exemplos e ensinamentos de Cristo Senhor, é um dom de Deus Pai à sua Igreja por meio do Espírito”[11] e por isso confessa a Trindade, une em fraternidade e serve na caridade [12]. A sua renovação depende principalmente da formação dos seus membros que devem acolher o dom da consagração e serem conscientes de sua especificidade na Igreja[13].

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Não se pode esquecer que a finalidade da formação se configura a partir da própria identidade da vida religiosa. Sem esta referência essencial ao “ser e fazer” do religioso na Igreja e no mundo, a formação transforma-se num itinerário pedagógico sem fim, sem propósito e perdido em seus objetivos e métodos. Aqui cabe uma avaliação sincera para reconhecermos que eventualmente nos desorientamos por não sabermos “de onde viemos, quem somos, o que queremos e para onde vamos”. Assim, no lugar de formarmos consagrados “a Deus para o serviço do povo”, deformamos e criamos “arremedos de religiosos” consagrados a si mesmos sem paixão por Cristo e pelo povo.

Portanto, é preciso sempre reconhecer que para nós “formar” deve significar “permitir aos candidatos à vida religiosa e aos jovens professos descobrir, em primeiro lugar, assimilar e aprofundar depois, em que consiste a identidade do religioso”[14].

A Exortação Apostólica Vita Consecrata[15] e a Instrução Partir de Cristo[16] apresentam formação à vida religiosa em chave de formação permanente que confronta os desafios do tempo presente e forma consagrados capazes de fidelidade criativa, mística profunda e ousadia profética. Por isso, a formação diante dos desafios socioculturais e eclesiais deverá se caracterizar como iniciação ao seguimento radical que configura a pessoa consagrada[17] a assimilar progressivamente os sentimentos de Cristo para com o Pai[18].

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A formação dehoniana, em comunhão com as orientações do Magistério da Igreja, estará atenta “a enraizar no coração dos jovens consagrados os valores humanos, espirituais e carismáticos necessários para fazê-los idôneos a atuarem uma ‘fidelidade criativa’”[19] à tradição espiritual e apostólica da Congregação.

Pe. Gimesson Eduardo da Silva, SCJ

Formador BRE no Curso para Formadores da Universidade Pontifícia Salesiana de Roma 

Siglas

PC          Perfectae Caritatis (1965)

PdC        Partir de Cristo (2002)

PI            Potissimum Institutioni (1990)

VC          Vita Consecrata (1996)

[1]LG 1.

[2]LG 43-47.

[3] LG 44d.

[4] PC 1.

[5] PC 12.13.14.

[6] PC 2-8.

[7] João Paulo II. Exortação Apostólica Pós Sinodal Vita Consecrata, 25 março 1996.

[8] Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, 1990.

[9] Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, 1999.

[10] Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, 2002.

[11] VC 1.

[12] VC 14-104.

[13] PI 1.

[14] PI 6.

[15] VC 64-71.

[16] PdC 15-19.

[17] PdC 18.

[18] VC 55.

[19] PdC 18.

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