BRE: Juventude e Vida Religiosa: desafios e luzes

Juventude e Vida Religiosa: desafios e luzes

Gruppo America 2014

A Vida Religiosa é um “dom divino que a Igreja recebeu de seu Senhor e que com a sua graça conserva sempre” (Constituição Lumen Gentium n. 43). Ela consiste numa vida de consagração a Deus pela profissão dos conselhos evangélicos de castidade, pobreza e obediência segundo um carisma específico, vivido em comunidade fraterna e a serviço de um apostolado particular no meio do Povo de Deus. Para abraçar esta vida de “especial consagração”, o jovem candidato precisa ser “formado” a fim de que configure sua existência a Cristo casto, pobre e obediente, radicalizando seu batismo pela oferta total da sua vida a Deus e pela inteira disponibilidade ao serviço da Igreja.

Quando falamos de formação para a Vida Religiosa, devemos nos lembrar do que afirma a Instrução da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica lançada em 1990 para tratar das “Orientações para a formação nos Institutos Religiosos”: A finalidade primordial da formação é permitir aos candidatos à vida religiosa e aos jovens professos descobrir, em primeiro lugar, assimilar e aprofundar depois, em que consiste a identidade do religioso. Somente nessas condições, a pessoa consagrada a Deus se inserirá no mundo como uma testemunha significativa, eficaz e fiel” (Potissimum Institutioni n. 6).

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No Curso para Formadores da Universidade Salesiana de Roma refletimos com o Pe. Roggia, sdb, sobre o sentido de pertença do jovem consagrado ou formando ao seu Instituto Religioso. Confrontamo-nos com os desafios e as luzes que se apresentam em âmbito vocacional e formativo às nossas Congregações que acompanham, acolhem e tentam formar os jovens candidatos de hoje. Penso que esta temática precisa ser enfrentada com realismo pelo nosso serviço de animação vocacional e pelas nossas equipes de formação a fim de que realmente possamos oferecer aos jovens vocacionados e formandos um itinerário que os ajude a serem discípulos do Senhor comprometidos com sua consagração e disponíveis para a missão.

Na abordagem da relação entre a juventude e a proposta de consagração na Vida Religiosa, o Pe. Roggia destacou os pontos principais pelos quais é desafiada a vocação religiosa hoje e nos propôs algumas pistas de ação que iluminam o caminhar futuro da animação vocacional e da formação.

O encontro “jovens e Vida Religiosa” se revela uma realidade difícil e dramática nos dias de hoje. Podemos constatar que há uma crise de referenciais no mundo juvenil que dificulta gravemente a relação com a dinâmica vocacional, particularmente com as vocações de especial consagração na vida eclesial. O discurso vocacional das Congregações parece que não consegue relacionar a vida juvenil com a vida consagrada. Em relação à “juventude de ontem”, é claro que vemos que hoje “os jovens mudaram”! No âmbito do crer o que é primordial é o “Deus que é importante para mim e me faz bem”. Os jovens buscam uma religião de multidão e não de minoria (“Unidos, mas independentes”). A sua vivência espiritual é diversificada e sincretista. Na sua vida há ausência de certezas e vivência de fragmentos de sentido. Mesmo neste contexto encontramos jovens que buscam uma experiência autêntica de cristianismo, que, no entanto, despedaça-se em experiências fechadas em si mesmas. Os nossos jovens vocacionados são “filhos desta geração”! Apesar da sua sensibilidade vocacional, percebemos que são marcados pela tentação de “provar tudo sem compromisso com nada”, pois a dinâmica do empenho é provisória. Vive-se um contínuo presente com medo do futuro.

OttavadiPasque14Diante dos desafios que a realidade cultural atual apresenta para a pastoral vocacional e a formação, devemos ter consciência de que se queremos uma renovação mais autêntica e profunda no futuro, precisamos construir bem o presente a partir de uma vivência mais elementar do carisma. Porque “da crise se pode sair só olhando para frente porque é inútil olhar para trás” (Pe. Roggia, sdb). Devemos olhar para o futuro com modalidades novas de Vida Consagrada!

O primeiro âmbito para se pensar uma renovação da atração vocacional está na busca da maturidade humana e espiritual dos religiosos. A Vida Religiosa precisa ser e se apresentar mais em sentido vivencial do que formal. É nesta linha que se renova a qualidade humana de suas relações internas e a autenticidade de sua vida espiritual. Sem uma vida espiritual autêntica, real e mística, não haverá vida de consagração feliz. E a espiritualidade só se pode construir sobre uma base humana minimamente equilibrada. Por isso, a Vida Religiosa deve ser um espaço no qual se cresçam homens e mulheres maduros, alegres, realizados, educados nos valores humanos mais elementares e abertos à transcendência do amor divino que se encarna na vida.

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Um segundo âmbito está no sentido de uma vida comunitária com dinâmica mais familiar, profunda, relacional. O testemunho de vida consagrada que contagia a juventude precisa ser aquele do âmbito da vida fraterna com todas as suas implicações espirituais, relacionais e pastorais. A Vida Religiosa vivida em comunidade deve-se concretizar num “viver juntos” que seja uma partilha concreta dos bens espirituais e materiais. Nesta partilha de vida as relações precisam ser de amor verdadeiro traduzido na sinceridade dos afetos, da confiança, do perdão e da vontade de caminhar juntos.

O terceiro âmbito seria o do ministério apostólico que deverá ser vivido na dinâmica do sentido da vida. A missão ou apostolado não podem ser uma “função” ou “um trabalho” a ser realizado, mas uma expressão concreta da vida de consagração. O “fazer” do religioso tem a sua razão no “ser” religioso. Jamais “contemplação” e “ação” deverão estar em campos contrapostos. Os jovens são mais atraídos por esta realidade de equilíbrio porque é aquela que dá consistência ao viver feliz. O apostolado que expressa a consagração deverá ser abraçado em chave missionária, pois fará com que o religioso e sua comunidade estejam sempre “em saída” para levar Cristo “às periferias existenciais”.

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A Vida Religiosa, para ser um atrativo chamado de Deus aos jovens de hoje, precisa ser essencialmente testemunhal! Sem um claro testemunho de consagração que se traduz em vida espiritual, vida comunitária e vida missionária, nosso serviço de animação vocacional e nossos itinerários formativos não serão eficazes instrumentos de discernimento e formação.

Os desafios nos impulsionam a abraçar um caminho de verdadeira renovação da Vida Religiosa! As luzes que surgem no horizonte são sinais da presença do Ressuscitado que é Senhor da História! A Vida Religiosa tem muito a oferecer ao mundo de hoje como “memória vivente da vida de Cristo”! Deus continua ainda a chamar os jovens para “serem d’Ele e para o seu Povo”! Ajudemos a “voz de Deus” a tocar o coração da juventude e acolhamos os jovens que a conseguem escutar e procuram dizer sim!

Pe. Gimesson Eduardo da Silva, SCJ

Dehoniano da Província BRE participante do Curso para Formadores da Universidade Pontifícia Salesiana de Roma

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