BRE: “Papa Francisco, uma surpresa de Deus para a Igreja e o mundo”

E POR FALAR EM FORMAÇÃO…

“Papa Francisco, uma surpresa de Deus para a Igreja e o mundo”

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            Há um ano ouvimos o Cardeal Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires eleito Papa, saudar a multidão que lotava a Praça São Pedro com um afetuoso “boa noite”. Suas palavras seguintes, simples mas diretas, foram um sinal de grande surpresa para os presentes, para a Igreja e todo o mundo que não esperavam que um latino-americano fosse eleito Papa e se chamasse “Francisco”. Como o próprio já nos falou, lembremos que “Deus sempre nos surpreende”!

            No último dia 18 de março a Pontifícia Comissão para a América Latina presidida pelo Cardeal Marc Quellet promoveu aqui em Roma um encontro de homenagem ao Papa Francisco, “Primeiro Papa Latino Americano”, que também refletiu sobre as implicações pastorais da sua Exortação Apostólica Evangelii Gaudium para a Igreja da América Latina.

            Eu estive presente neste encontro que lotou um grande auditório perto do Vaticano com autoridades, leigos, religiosos/as, padres e bispos da América Latina.

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            O Cardeal Marc Quellet na sua conferência afirmou que o Papa Francisco é um “Papa Surpresa” não porque goste de surpreender por surpreender, mas porque é um homem em comunhão com o próprio agir de Deus que é “criativamente surpreendente”.

            Cardeal Quellet destacou que hoje cresce um interesse mundial pela vida da Igreja e por sua ação pastoral, não obstante as vozes críticas e ideológicas que lhe são contrárias. Até mesmo o impulso da ação evangelizadora ganhou um novo fervor. Por isso com alegria podemos reconhecer este tempo como um “kairós” concedido por Deus através do Papa Francisco que nos convoca a vivermos a essencialidade do Evangelho de Jesus Cristo.

            “O Papa não tem uma estratégia de comunicação; ele é a estratégia”. Esta afirmação do Cardeal Quellet nos tocou muito porque nos fez pensar na “rica simplicidade” da vida do Papa Francisco que comunica mais com os seus gestos do que com suas palavras. Vida de um “autêntico bispo” que se reconhece instrumento do Espírito para “reformar a Igreja”. Reforma esta que começa por uma “conversão pastoral” do estilo de se viver o ministério petrino, que com Francisco é marcado pela simplicidade, pela proximidade com o povo e pela renúncia à manutenção da maioria das tradições monárquicas que o papado herdou durante a história. Realmente o Papa Francisco nos surpreende com seu “sorriso” que revela o estado interior de uma alma alegre por servir a Deus e o seu povo. Assim, com sua autenticidade, evangeliza pela “força de atração” própria do Evangelho que procura viver com simplicidade.

            Penso que a Igreja na América Latina, na qual nasceu, viveu e trabalhou o Cardeal Bergoglio, deve aproveitar esse grande “momento de graça” e abraçar com radicalidade o compromisso de ser “uma Igreja em estado permanente de missão”, que ajude o nosso povo latino-americano a construir “um continente de esperança”. Para isto não podemos nos contentar com uma mera pastoral do “sempre fizemos assim”. Também não podemos pensar que só basta “alimentar a alma” enquanto o nosso povo “está de barriga vazia”. Jamais estaremos sendo missionários se proclamarmos um “Reino de Deus” que já não comece “aqui na terra” para ser pleno “no Céu”.

            A nossa Igreja na América Latina, se quiser ser autêntica comunidade de discípulos missionários de Jesus Cristo, precisará renovar sua capacidade de ser mística e profética. Mística no sentido de ser profundamente enraizada no amor do Senhor a quem está unida na escuta da Palavra, na vivência dos Sacramentos, particularmente da Eucaristia, e na disponibilidade orante aos seus desígnios. Profética no sentido de ser ardorosamente testemunha do Evangelho da Vida que toca e transforma os corações dando a graça de uma vida nova bem como convertendo estruturas sociais injustas que geram morte e sofrimento na vida dos povos. Igreja mística porque totalmente apaixonada pelo Senhor e por Ele radicalmente transformada. Igreja profética porque corajosamente apaixonada pelo povo do seu Senhor e ao qual serve para que tenha vida e esperança.

            Espero que não percamos a oportunidade de nos “deixarmos surpreender por Deus” neste tempo que Ele mesmo nos dá o Papa Francisco com sinal de “suas surpresas”! Espero que aprendamos a sermos místicos e proféticos a fim de que também saibamos surpreender o mundo!

Pe. Gimesson Eduardo da Silva, SCJ

Formador Dehoniano participante do Curso para Formadores da Universidade Pontifícia Salesiana de Roma

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