BRE: Meditações de Padre Dehon: A ALEGRIA NO SACRIFÍCIO

SOBRE A ALEGRIA NO SACRIFÍCIO

Hoje, primeira sexta-feira do mês, somos convidados a imitar a Jesus Cristo, refletindo a partir da meditação proposta pelo Venerável Padre Dehon.

“Senhor Jesus, quero aplicar-me a levar doravante a minha cruz com alegria. Quero imitar as disposições do vosso Coração em todas as provações e sofrimentos da vida: a paciência, a generosidade, o amor pelo sofrimento e pelo sacrifício”.

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Então Jesus veio encontrar os seus discípulos e disse-lhes: Dormi agora e repousai; chegou a hora e o Filho do homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores. Levantai-vos, vamos, aproxima-se o que me vai entregar (Mt 26,45).

 Primeiro Prelúdio: Jesus levanta-se e avança muito generosamente em direção do traidor, que exemplo de coragem no sacrifício!

 Segundo Prelúdio: A vosso doce Providência, ó meu bom Mestre, nunca me pedirá sacrifícios acima das minhas forças, fazei que aceite generosamente os que me impondes.

 PRIMEIRO PONTO: Nosso Senhor dirigia-se com alegria para o Calvário para a glória do seu Pai e a salvação das nossas almas.

Nosso Senhor quis passar por um momento pelos temores e pelas perturbações da agonia, para sofrer tudo o que sofremos e para nos ensinar a resignação e o abandono de que a vida está toda semeada. Queria também sofrer em todas as suas faculdades, a fim de expiar as faltas cometidas por todas as potências da nossa alma e do nosso corpo.

Nestas penas extremas, exprime a sua resignação à vontade do seu Pai, mas regressa imediatamente à sua disposição habitual de alegria no sacrifício: Surgite, eamus. Levantai-vos e caminhemos, dizia aos seus apóstolos e ia para frente do traidor. Ia para frente do cálice de amargura que tinha desejado beber e para o batismo de sangue com que tinha pressa de ser batizado por amor pelo seu Pai e por nós.

O conjunto dos mistérios da sua Paixão, era a nossa salvação, a nossa redenção. Era o prelúdio necessário da Ressurreição, da abertura do seu Coração, do nascimento da Igreja, da descida do Espírito Santo e de todas as graças esperadas e preparadas desde a origem do mundo.  Era a vitória sobre o demônio e sobre o pecado.

Tinha muitas vezes exprimido o seu desejo da cruz, era para Ele uma angústia esperar: Baptismo habeo baptizari et quomodo coarctor usque dum perficiatur.

Os profetas tinham anunciado esta espontaneidade do seu sacrifício: ofereceu-se porque quis (Is 53). Assim, quando Pedro e os outros quiserem prender o traidor e os seus cúmplices, Nosso Senhor reprimirá o seu ardor demasiado natural: Não hei de beber o cálice que meu Pai me deu? (Jo 18,11).

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SEGUNDO PONTO: O seu amor por nós tornava-lhe a cruz leve.

São Paulo dá-nos o amor de Nosso Senhor pela cruz como um exemplo e um encorajamento nas nossas provas: Nosso Senhor pegou na cruz com alegria (proposito sibi gaudio), desprezando as humilhações (Heb 12). Levava a cruz considerando os  motivos que podiam autorizá-lo a encontrar nela alegria. Estes motivos eram, com a alegria que daí derivava para o seu Pai, o avanço da obra da nossa redenção. Cada passo que dava no caminho do Calvário, pagava uma parte da nossa dívida e quebrava um anel da nossa cadeia. Como é que não se teria alegrado, se nos amava? Era somente sobre a cruz que devia ter acabado de pagar a nossa dívida. Era lá que devia rasgar e pregar a cédula dos nossos compromissos (Col 2,14).

A cada passo que dava neste caminho, as potências das trevas recuavam. Avançava para a vitória definitiva do Calvário, como não teria estado alegre e triunfante? «Avança com confiança, diz S. Paulo, triunfando em si mesmo, porque despoja os principados e as potências do inferno» (Col 2,15).

Se o amamos, se desejamos avançar o reino do seu Coração, se queremos fazer recuar o demônio, apagar os nossos pecados, enriquecer-nos com graças e contribuir para a salvação das almas, para a libertação dos defuntos que expiam, levemos generosamente a nossa cruz quotidiana. A nossa cruz, é a de Nosso Senhor da qual nos deixou uma pequena parte, para que possamos provar-lhe o nosso amor e participar na sua glória: «Cumpro o que falta à Paixão de Cristo», diz São Paulo (Col 1,24).

Regozijai-vos, portanto, no Senhor, mesmo no tempo da provação e do sofrimento. Porque estas são as verdadeiras causas de uma verdadeira e santa alegria. Os sacrifícios e os sofrimentos são outros tantos passos que nos conduzem ao nosso fim, que nos tornam semelhantes a Nosso Senhor e que nos aproximam do seu Coração.

TERCEIRO PONTO: A alegria no sacrifício é a característica das almas consagradas ao Sagrado Coração.

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As provações são inevitáveis, indispensáveis, fazem avançar o reino do Sagrado Coração e preparam com Ele grandes graças, grandes favores, como não haveriam de trazer alegria? Quanto mais ultrapassamos obstáculos, tanto mais nos aproximamos do fim.

A paciência, a generosidade, o amor pelo sofrimento e pelo sacrifício  são as virtudes que devem caracterizar as almas consagradas ao Sagrado Coração.

Perseveremos na oração, no louvor, na ação de graças para com Deus, mas, sobretudo na paz de Deus, esta paz que ultrapassa todo o conceito, que é um fruto da cruz, da renúncia a si mesmo, da abnegação e do sacrifício; esta paz que o mundo não pode dar, que não conhece, precisamente porque  não quer conhecer nem amar a cruz. Consequentemente, também não conhece a doçura, nem a paz, nem a felicidade que está contida na cruz e que dela brota.

Levando alegremente a cruz, saciaremos a sede de amor generoso e dedicado de Nosso Senhor, responderemos às súplicas prementes que dirigiu a Margarida Maria; seguiremos os traços desta alma privilegiada e dos outros santos mais caros ao Sagrado Coração  e apressaremos a efusão de grandes graças que o reino do Sagrado Coração deve trazer à Igreja.

 Resolução. – Senhor Jesus, quero aplicar-me a levar doravante a minha cruz com alegria. Quero imitar as disposições do vosso Coração em todas as provações e sofrimentos da vida: a paciência, a generosidade, o amor pelo sofrimento e pelo sacrifício.

 Colóquio com Jesus sofredor.

Colaboração: Pe. Luís Theuws SCJ.

pe. Luís

 

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