BRE: Meditação de Padre Dehon: A oração de Nosso Senhor no Jardim das Oliveiras

Nesta 1ª Sexta-feria do mês Pe Dehon nos convence que devemos orar como Jesus orou! 

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A Oração de Nosso Senhor no Jardim das Oliveiras

E caindo de joelhos, prostrou-se por terra, e orava para que, se fosse possível, se afastasse dele aquela hora, dizendo: meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice, e no entanto não se faça o que eu quero, mas o que tu queres (Mt 26,39).

 Primeiro Prelúdio. A lua projeta um luar sinistro e as oliveiras estendem as suas grandes sombras. Jesus, oprimido e gemendo, ora na sombria gruta.

 Segundo Prelúdio. Peço-vos a graça de me ajoelhar a vosso lado, ó Jesus, de rezar convosco e de misturar as minhas lágrimas ao sangue redentor que o vosso divino Coração vai derramar por mim nas aflições da sua agonia.

PRIMEIRO PONTO: A agonia.

Jesus está prostrado, com o rosto por terra. Abaixa a sua majestade diante do seu Pai. Tem os olhos banhados de lágrimas. Está tomado de uma terrível angústia, dos apertos da agonia: experimenta uns após outros o medo, o desgosto, o abatimento. Nunca alma humana suportou semelhante opressão. É o martírio do Coração. Tomou a responsabilidade de todos os crimes da terra: os sacrilégios, as blasfêmias, o orgulho, a impureza, a injustiça sob todas as suas formas; as ingratidões também, a covardia, a tibiez dos seus preferidos. A vergonha penetra-o, que repugnância a sua alma santa sente por todos estes horrores! Está na iminência de perder a vida… O sangue, acumulado à volta do seu coração divino pela violência das suas emoções, rompe as veias inchadas e inunda a terra.

Escutemos as suas palavras: A minha alma está numa tristeza de morte, a ponto de morrer de tristeza. Permanecei aqui e vigiai comigo. Vigiai e rezai. Mas os apóstolos dormem. Que ingratidão, depois do dom da Eucaristia! Que indelicadeza! Que crueldade!

Infelizmente, temos um coração melhor? Jesus é ainda traído na Eucaristia; é abandonado; repara; tem uma tristeza mística.

Onde estamos? Que fazemos? Não somos discípulos, apóstolos, preferidos do Salvador? Onde estão o nosso reconhecimento e a nossa fidelidade?

 SEGUNDO PONTO: A oração de Jesus.

Jesus rezava: Meu Pai, se é possível, que este cálice se afaste de mim! No entanto, que a vossa vontade se faça e não a minha! Não cede à fadiga, ao desgosto, ao desânimo. Reza com mais insistência: Prolixius orabat. Reza com tanto respeito, com tanta humildade!, de joelhos, com o rosto por terra.

Reza com perseverança: Foi de novo, dizendo as mesmas palavras… Foi ainda, repetindo o seu pedido por uma terceira vez.

Reza com resignação: Que a vossa vontade se faça, ó meu Pai, e não a minha!

Reza com a disposição de se abandonar inteiramente à vontade do seu Pai e de se entregar por nós até onde for necessário: se este cálice não pode passar sem que eu o beba, que a vossa vontade seja feita!

Reza pelos seus apóstolos que dormem e que não rezam ao aproximar-se a tentação. Poderá dizer a Pedro: «Rezei para que a tua fé não desfaleça».

Reza por todos durante esta longa oração de três horas. Reza por nós, reza por mim. Acumula graças por todos os séculos futuros. Antes de morrer, cumpre a sua grande missão de oração. Obtém a graça e a misericórdia pelos pecadores, força e coragem por aqueles que são experimentados e tentados.

O seu divino Coração pensou em todos. Eu também estava lá com os meus pecados, com a minha pobreza infinita, com as minhas resistências à graça e à vontade divina. Estava lá com o meu coração duro e frio. Nada o fez desanimar, nem as minhas recaídas, nem a minha ingratidão. Ó Jesus, aplicai-me hoje o fruto das vossas orações. Piedade! Piedade!

 TERCEIRO PONTO: As minhas orações.

Que contraste! Começo às vezes a rezar como os apóstolos, depois começo a dormitar e o meu espírito divaga. Não saberia vigiar uma hora com Jesus.

A minha meditação, a minha missa, as minhas outras orações podem ser oferecidas a Nossa Senhor? São elas apropriadas a lhe agradarem, a consolarem-no, a compensarem-no? Posso oferecer tudo isto ao Coração mais santo, mais puro, que tudo conhece, ao Coração mais amante e digno de todo o amor, ao Coração do meu Deus e do meu Jesus?

Era mesmo isto que este divino Coração ao qual inteiramente me prometi e consagrei esperava de mim?

Sem dúvida que as minhas orações quotidianas não têm a gravidade daquelas de Jesus no Getsémani, mas não deveriam pelo menos ser atentas, recolhidas, modestas? Não deveria eu fugir da distração, da dissipação, da moleza?

São suficientemente longas as minhas orações? Partem do coração? São animadas pela fé, pela confiança?/140

Jesus não está no tabernáculo, como estava no Getsémani, a pedir-nos que rezemos com ele?

Reza lá por nós sem interrupção: Semper vivens et interpellandum pro nobis. Não nos pede evidentemente que rezemos sempre, mas pede que o façamos quando está na hora, sem parcimônia, sem precipitação, e com todo o nosso coração e toda a nossa boa vontade.

Resolução. – Ó Jesus, se eu soubesse rezar, que graças obteria da vossa misericórdia! Ajudai-me. Quero começar hoje a rezar melhor, a rezar bem, com respeito, com atenção, com coração. Dai-me, Senhor, o espírito de oração, em união com o vosso divino Coração.

 Colóquio com Jesus no Getsémani.

Colaboração: Pe Luís Theuws SCJ.

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2 respostas para BRE: Meditação de Padre Dehon: A oração de Nosso Senhor no Jardim das Oliveiras

  1. Talyta Tabosa disse:

    ORAÇÃO DO ABANDONO

    Meu Pai, eu me abandono a vós, fazei de mim aquilo que vos agrada; qualquer coisa que façais de mim, vos agradeço.
    Estou pronto para tudo, aceito tudo, para que a vossa vontade se cumpra em mim e em todas as criaturas; não desejo nenhum outro, meu Deus.
    Deposito a minha alma em vossas mãos, dou-a a vós, meu Deus, como todo o amor do meu coração porque vos amo. E é para mim uma exigência de amor o doar-me, depositar-me nas vossas mãos, sem reserva, numa confidência infinita, porque vós sois o meu Pai. Amém.

    (Pe. Charles de Foucauld)

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