BRE – Meditação de Padre Dehon: O Sagrado Coração de Jesus em Nazaré

MEDITAÇÃO DE PADRE DEHON para 1ª Sexta-feira

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Sejamos circuncidados de coração. Que Jesus viva em nós, que ele dirija nossa vontade e comande os nossos sentimentos. As preocupações do espírito e da imaginação são tentações a serem evitados. [1]

  

I. VIDA DE ORAÇÃO

O Sagrado Coração de Jesus em Nazaré.

 

E aconteceu que, estando Jesus num lugar em oração, quando acabou um dos seus discípulos disse-lhe: Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou aos seus discípulos (Lc 11,1).

 PRIMEIRO PRELÚDIO.

Consideremos Nosso Senhor passando longas horas em oração, com os braços erguidos para o céu. A oração era a ocupação habitual do seu coração e como a sua respiração.

 SEGUNDO PRELÚDIO.

Senhor, ensinai-nos a orar como orava o vosso divino Coração em Nazaré.

 PRIMEIRO PONTO: Jesus não deixou de rezar durante a sua vida mortal.  

Ele pôde dizer-nos que é preciso rezar sempre e nunca parar (Lc 18), porque Ele mesmo rezava sempre. Muitas vezes, era uma oração formal, intensa e prolongada. Durante as suas ocupações exteriores, era o espírito de oração que santificava as suas ações. Era a vida do seu coração do qual todas as palpitações eram atos de oração.

Foi, sobretudo em Nazaré que Ele rezou muito, nesta casa regrada como um convento, com exercícios regulares e um trabalho calmo e silencioso que não interrompia a oração interior e que podia  mesmo fazer-se ao cântico dos salmos.

A oração do Coração de Jesus não omitia nenhuma intenção. Oferecia ao seu Pai o louvor, o amor, a ação de graças, a reparação. Era muitas vezes impetratória. Jesus rezava por nós todos. É d’Ele que se pode muito bem dizer o que é dito de Jeremias, no segundo livro dos Macabeus: «Eis o verdadeiro amigo dos seus irmãos, que reza muito pelo seu povo!»

Como é que rezava? Rezava com um grande respeito, interior e exterior; e foi por isso, diz S. Paulo, que Ele foi atendido (Heb 5,2). Rezava com constância; consagrava-lhe muitas vezes longas noites (Lc 6). Rezava com fervor e com lágrimas: «cum clamore valido et lacrymis» (Heb 5). Rezava com resignação: «Meu Pai, dizia, se é possível, afastai de mim este cálice; no entanto, que se faça a vossa vontade e não a minha». Rezava com confiança: «Meu Pai, eu sei que me escutais sempre» (Jo 11).

E a sua oração de então permaneceu uma fonte de graças e de salvação.

E nós, como rezamos?

 SEGUNDO PONTO: Jesus está sempre suplicante na Eucaristia

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O amor do Coração de Jesus por nós não se extinguiu com a sua vida mortal. As necessidades não terminaram, a sua oração devia, portanto, continuar a subir até ao trono de Deus. Jesus-Eucaristia presta ao seu Pai as mesmas homenagens que lhe prestava na terra. Dirige-lhe as mesmas orações por nós: «Semper vivens ad interpellandum pro nobis» (Heb 7).

Está sobre o altar em estado de suplicante. O seu coração sente intensamente todas as nossas necessidades, a sua boca é o intérprete de todos os homens, os seus suspiros falam por todas as nossas misérias.

No meio de nós, como outrora junto dos seus apóstolos, dirige ainda ao seu Pai esta bela oração: «Pai-nosso que estais nos céus…»

Algumas almas rezam com Ele, mas quantas são tíbias, indiferentes ou mudas! Somente Ele é que não tem necessidade de rezar, e somente Ele é que não se cansa de rezar. Reza na Eucaristia e reza ainda no céu: «Nós temos, diz S. João, um advogado junto de Deus Pai» (Jo 2).

Ah! Rezemos com Jesus, levemos uma vida de oração, para louvar a Deus e para solicitar a nossa salvação e a dos nossos irmãos.

 TERCEIRO PONTO: Rezemos com Jesus e como Ele.

A oração é tão necessária! É certo que a graça não se obtém, segundo o curso ordinário da Providência, senão pela oração, e sem a graça nós não podemos fazer nada de meritório para o céu. – E porque é que rezamos tão pouco? É, em primeiro lugar, porque /13 não estamos bastante convencidos da nossa fraqueza extrema, da nossa pobreza espiritual, da nossa miséria profunda; é porque não estimamos bastante os bens da graça; é porque duvidamos da verdade das promessas de Nosso Senhor, que disse que tudo o que pedíssemos em seu nome nos seria concedido. Oh! Rezemos com Jesus e como Jesus!

Como os apóstolos, unamos as nossas orações às de Maria: perseveravam na oração em união com Maria, Mãe de Jesus (Act 1).

Se quereis um advogado junto de Jesus, recorrei a Maria, diz-nos São Bernardo.

Ó vida de orações e de santos desejos, como sois pouco estimada, pouco amada, pouco praticada!

Ó doçura da oração, poder da oração, riquezas da oração, como sois pouco conhecidas!

As nossas orações mal feitas tornam-se fastidiosas e permanecem ineficazes. Voltemos ao fervor de outros tempos. Um coração amoroso por Deus e pelo próximo reza com fervor.

Rezemos pela nossa salvação, pelo nosso progresso,  por tantos pecadores que não pensam sequer em apaziguar a justiça de Deus, por tantos pobres idólatras, tantos infortunados hereges, tantos miseráveis de todo o gênero, que são nossos irmãos.

 Resolução. – Vou examinar como faço os meus exercícios de piedade. Compararei as minhas disposições às do Coração de Jesus. Humilhar-me-ei e voltarei ao fervor.

 Colóquio com o bom Mestre ensinando os seus apóstolos a rezar (Imitação de Cristo, Liv. III, c.30 e 50).

 

[1] Notes Quotidiennes, Leon Dehon, Vol.: 1, pg.: 7.

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