BRE – HOMILIA NA COMEMORAÇÃO DE TODOS OS FIEIS DEFUNTOS (Dom Abade Filipe)

HOMILIA NA COMEMORAÇÃO DE TODOS OS FIEIS DEFUNTOS 

Por: Dom Abade Filipe

Sb 4,7-15; 2Cor 5,1.6-10; Jo 14,1-6 

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Na casa de meu Pai há muitas moradas!

         Introdução

  • Caros irmãos, prezados fieis. Anualmente, aos 02/11, a Igreja faz a Comemoração de Todos os Fieis Defuntos, celebração que teve origem no mosteiro beneditino de Cluny, França, mais precisamente no séc. XI.
  • Por que tal Comemoração pelos mortos? Estes não são lembrados diariamente em todas as Santas Missas? Ouvimos frequentemente estas súplicas pelos que morreram: Lembrai-vos dos vossos filhos que partiram desta vida, marcados com o sinal da fé (Oração Eucarística I). Lembrai-vos também dos nossos irmãos que morreram na esperança da ressurreição e detodos os que partiram desta vida…(OE II). Acolhei com bondade no vosso reino os nossos irmãos que partiram desta vida e todos os que morreram na vossa amizade… (OE III). Lembrai-vos dos que morreram na paz do vosso Cristo e detodos os mortos dos quais só vós conheceis a fé (OE IV).
  • Caros irmãos, a Igreja se une hoje numa única celebração e num único sentimento para rezar mais viva, profunda e exclusivamente por aqueles que foram ao encontro do Senhor.
  • Recordando aqueles que não perdemos, mas foram antes de nós(São Cipriano),a Igreja peregrina não podia, ao celebrar a Igreja da glória, esquecer a Igreja que se purifica no purgatório.
  • Ora, por não sabermos quem já desfruta da luz eterna, por desconhecermos quem se voltou para Deus nos instantes de sua vida, e por não termos ciência das almas que aguardam no purgatório o encontro definitivo, convém que a Igreja lance aos céus, numa única celebração, sua oração por todo os fiéis falecidos.
  • Reza hoje a Igreja especialmente pelos que se purificam no purgatório. E como estas almas não podem acelerar o processo de sua purificação, podem os fiéis na terra interceder por elas, fazendo-lhes orações para que sejam envolvidas pelo amor de Deus.
  • Infinitamente misericordioso, concede Deus a todos os filhos a ocasião de se libertar dos resquícios do pecado, justamente nopurgatório: estado em que o amor a Deus, fraco e vacilante outrora na terra, se vai robustecendo de modo a afastar todo e qualquer apego ao pecado, que tenha ficado na alma após a morte.
  1. A Liturgia da Palavra
  • As leituras que acabamos de ouvir ilustra e esclarece o mistério da morte.
  • primeira leitura, tirada do livro da Sabedoria, faz um elogio ao homem justo e virtuoso, que por isso mesmo recebe o amor de Deus. Este, com graça e misericórdia, arrebatará e transferirá para outro lugar o homem que vive assim, a fim de livrá-lo da maldade e preservar sua consciência.
  • De modo velado, o livro da Sabedoria, fala de uma vida futura e feliz, inaugurada com a morte que tira o homem deste mundo para levá-lo ao convívio com o Pai.
  • São Paulo, por sua vez, na segunda leitura, tirada da segunda carta aos coríntios, realça justamente a condição peregrina do homem: um dia deixará sua morada terrena para viver junto do Senhor!
  • E isto é possível, como ouvimos Jesus dizer no Evangelho de São João, que na casa de meu Pai há muitas moradas. Jesus, Caminho seguro, Verdade infalível, Vida sem fim, como sua morte e ressurreição, não apenas sentou-se à direita do Pai, como também preparou um lugar para nós, a fim de que, após a nossa morte, fiquemos para sempre na casa do Pai, integrando a multidão dos redimidos!
  1. Reflexão
  • Caros irmãos e fiéis, como não pensar na morte no dia de hoje?
  • Nosso tempo e nossa civilização ainda muito se espantam com ela, ainda não suporta a ideia de envelhecer e de caminhar para a mesma – morte que sempre aparece como a última realidade a ser refletida em nossa vida.
  • NPS Bento, direta ou indiretamente, assim fala da morte em sua Regra: temer o dia do juízo; ter pavor do inferno; desejar a vida eterna com toda a cobiça espiritual; ter diariamente diante dos olhos a morte a surpreendê-lo (RB 4,44-47).
  • Quanta sabedoria, e que belo olhar tem nosso pai para as realidades futuras!
  1. Mensagem
  • Não podemos negar, por outro lado, que a morte tem uma nota de tristeza, incompreensão, separação, perda. Ela, realmente tem uma força de separar pessoas, interromper amizades, provocar saudade, deixar vazio, inaugurar solidão…
  • Contudo, a morte é fonte de vida plena. Quem morre, nasce: nasce para a eternidade, nasce para a vida plena e luminosa, nasce para o grande encontro!
  • Devemos enfrentá-la com serenidade. E para tal, convém aproveitarmos os dias de boa saúde – quando a morte parece mais distante – , a fim de nos prepararmos para acolhê-la.
  • Preparemos nossa morte criando encontros com Deus ao longo da vida, encontros que nos ajudem a descortinar, quanto possível, sua imensidade, e assim prepararmos como que em sombras o futuro encontro onde brilhará a luz eterna, Ele mesmo, o Deus que nos criou!
  • Nunca nos esqueçamos, no dizer de Santo Anselmo, que a vida para a qual Deus nos criou, não é a presente vida. Esta é breve demais, e insuficiente para um coração que tem sede de Infinito. Sim, há em cada homem um vazio do tamanho de Deus: e bom preenchê-lo com Ele mesmo já na vida presente, consumando a nossa vida antes da morte.

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  1. O Claustro
  • Faremos em procissão, no final da Santa Missa, a visita ao claustro.
  • O claustro e uma dos espaços mais expressivos de um mosteiro: área nobre, lugar restaurador, portador de uma singela beleza, que pede atenção, silêncio, escuta; suscita paz.
  • Quantos segredos há no claustro: natureza, flores, poesia, morte, vida.
  • O sol que por ele entra a cada manhã vem iluminar o interior do mosteiro e lembrar a nós monges que ha uma vida lá fora, vida que ainda e também nos pertence. Se não mais estamos nela inseridos, podemos e devemos unir-nos a ela rezando por um mundo que aos poucos vem cada vez mais se esquecendo de Deus, mundo tão necessitado da nossa oração!
  • Nele estão sepultados os irmãos que perseveraram até o fim, que deram suas vidas pelo mosteiro e pela Igreja: rezemos por eles, também pelos nossos parentes e amigos falecidos!

        Conclusão

  • Concluamos com Santo Agostinho!

Aqui es hóspede, porque estás de passagem.

Usa deste mundo sem muitos apegos;

estás de viagem, vieste para andar mais adiante, não para ficar.

Usa dos bens como viajante:

faz da mesa, do copo, do jarro, do leito,

como alguém que deve tudo deixar, nada conservar.

Canta como costumam fazer os viajantes, mas caminha.

Canta e caminha!

Hoje cantamos pelo caminho; amanhã, na pátria definitiva,

a Jerusalém celeste! (Sermão 256).

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  • Meus irmãos e fiéis, hoje não é um dia de luto e tristeza. É dia de mais íntima comunhão com aqueles que não perdemos, simplesmente foram a frente. É dia de esperança, porque sabemos que os nossos irmãos falecidos ressurgirão em Cristo para uma vida nova.
  • Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!
  • D. Filipe: 02/11/2013.

D. Filipe é  Abade do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro.

Disponível em: http://www.lugardeencontro.com.br/homilias/homilia-na-comemoracao-de-todos-os-fieis-defuntos-c-2013.html

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