BRE – Aborto: o holocausto silencioso –

Aborto: o holocausto silencioso

Fr. Luiz Alípio, scj

           Nas minhas merecidas férias de julho, no ano de 2011, dediquei-me nas leituras de alguns livros necessários para a minha formação. Dentre elas, destaco uma obra singular e profunda de um insigne autor chamado John Powell, padre e jesuíta norte-americano, falecido em 2003. Sou um leitor assíduo desse autor e me sinto impelido a tecer, de maneira sucinta e breve, comentários dessa obra.

nao_abortoAdentramos no século XXI e nos deparamos com um novo paradigma da secularização, perca do sentido do sagrado, com valores em crises, o amor sendo banalizado, uma ética a ser questionada etc. O mundo que Deus criou não é composto por esses elementos, mas sim um mundo de amor, de valor, de ética humana onde a vida deve prevalecer. O aborto é um projeto contrário a criação, é um retirar a vida. A primeira atitude que devemos ter é a do valor, ou seja, o valor sagrado que a vida humana possui.

            Primeiramente, toda a pessoa humana é chamada a defender a vida em qualquer situação. Pois, acreditamos e professamos que a vida é um dom de Deus, é um presente, que devemos agradecê-lo todos os dias. A vida de uma pessoa humana está sendo colocada em cheque, em jogo, ou muitas vezes, em descaso, quando se comete o aborto.

            Na tradição judaica-cristã, uma criança quando nasce vem com três propósitos: “cantar uma música, trazer uma mensagem de Deus e ser feliz” (p.15). Quando se comete o aborto, está dizendo que: “não quero ouvir sua música, não quero ouvir a mensagem de Deus e não quero ver a sua felicidade na terra”. É um violento “não” que brada aos olhos de Deus. Quando se rejeita uma criança, está sendo ingrato com o presente que Deus lhe deu. “Toda nova criança é um sinal de que Deus quer que o mundo continue a existir” (p.28).

            O autor aborda dois tipos de ética: a ética velha e a ética nova. A ética velha insiste “na santidade e no valor de cada vida humana, e nega que existam vidas que não vale a pena serem vividas”. A velha ética é uma postura cristã, são aqueles que lutam pela vida. A ética nova julga “cada vida por sua qualidade e significação e submete a morte aqueles cuja vida não corresponde aos padrões exigidos” (p.63), ou seja, uma criança que nasce com defeitos, causa prejuízo à família e ao Estado financeiramente; toma tempo, paciência e incomoda até aos próprios genitores. Eles não admitem crianças sendo portadores de alguma deficiência, física ou mental, pois não serão uteis ao Estado.

            Pessoas que cometem e apóiam o aborto vivem um paradigma inverso: “usam as pessoas e amam as coisas” (p.83). Quando se ama alguém, lutamos, orientamos, preservamos, cuidamos, zelamos por aquele ser humano. Se acreditamos no amor, então não deveria haver discriminação, pois o amor não discrimina, nem faz acepção (p.123). O amor continua sendo o critério decisivo da vida. O amor não mata. Deus quer que todos amem, inclusive até os nascituros. O amor não exclui, ele se estende a todos.

1.-Aborto- nãoA vida humana tem inicio no momento da fecundação. Dentre inúmeros médicos citados pelo autor, destaco Dr. McCarthy DeMere, advogado e médico, afirmando que “o momento exato da existência de um ser como pessoa e do corpo humano é o momento da concepção” (p.77). Logo, “uma vez demonstrado que o feto já é uma vida humana, então o aborto não é uma questão de foro íntimo. Estão em jogo os direitos e a vida de um ser humano fraco e sem vez (p.116)”. É um grito silencioso que machuca o coração de Deus. Eles não têm o direito de se defender, são mortos de maneira imerecida e injusta. “O aborto é um holocausto oculto, além de um holocausto silencioso. Se pelo menos o bebê pudesse ser visto e pudesse clamar por sua vida; mas ele não tem voz nem visibilidade que não seja a nossa “(p.118). Se alguém assistir a uma simulação de aborto, com certeza, mudaria de idéia. O livro traz uma estatística afirmando que o número de abortos é maior juntando todas as guerras do século XV até o nosso século. Se há, ainda hoje, holocaustos explícitos, visíveis, o aborto é um holocausto às escondidas, oculto. Pouquíssimos sabem.

Não. aborto

Quando somos ingratos em rejeitar o presente, dom da vida naquela criança, que Deus nos deu, podemos estar correndo sérios riscos, como por exemplo, o autor cita Planned Parenthood que dizia: “Um aborto tira a vida de um bebê depois de seu início. É um procedimento perigoso para sua vida e sua saúde. Pode torná-la estéril, de maneira que, quando você quiser ter um filho, não poderá tê-lo”. O efeito do aborto é coisa séria, merece reflexão, atenção, principalmente para as mães. E há casos, que certamente conhecemos, de mulheres que cometeram aborto e não podem engravidar. Sinal de Deus? Não soube aproveitar a graça.

não - AbortoPor fim, a Igreja sempre olha com carinho e misericórdia para com aquelas mães que cometeram o aborto e hoje estão profundamente arrependidas. O autor cita casos de pessoas que cometeram aborto e que no fundo se arrependem amargamente. E uma das mulheres disse para o padre: “Como poderei esquecer?” (p. 67). O Sacramento da Confissão, nessas horas, continua sendo o melhor remédio.

Portanto, viva a vida! Preservemo-la. Vamos combinar assim: assista a um parto e depois descreva a sua reação ao ver um presente de Deus (bebê) chegar aos braços de uma mãe que espera ansiosamente. Tente descrever esse momento, se for capaz. Acredito que nessa hora, os olhos lacrimejam de tanta felicidade.

Deus diz um eterno EU TE AMO.

imagePAPA

Frater Luiz Alípio é Religioso da Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus. É Filósofo  e, estudante do último Período do curso de Bacharel em Teologia. 

                                                            

Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Uma resposta para BRE – Aborto: o holocausto silencioso –

  1. fernanda disse:

    Concordo plenamente com suas um palavras…Creio que um aborto para Deus é uma dor imensuravel. Cabe a cada cristão refletir sobre a vida, os valores que com ela aprendemos e acima de tudo isso o amor, o mais puro, o de uma criança.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s