BRE – Nessa Primeira Sexta-feira do mês estamos publicando a segunda meditação do livro de Padre Dehon: A VIDA DE AMOR. Hoje refletiremos sobre a meditação: AS VANTAGENS DA VIDA DE AMOR.

2ª MEDITAÇÃO: VANTAGENS DA VIA DO AMOR

SAGRACor

Nessa Primeira Sexta-feira do mês de estamos publicando a segunda meditação do livro de Padre Dehon: A VIDA DE AMOR. Hoje refletiremos sobre  a meditação: AS VANTAGENS DA VIDA DE AMOR.

14. Vos amici mei estis, si feceritis quae ego praecipio vobis.

15. Jam non dico vos servos: quia servus nescit quid faciat dominus ejus. Vos autem dixi amicos: quia omnia quaecumque audivi a Patre meo, nota feci vobis.

16. Non vos me elegistis: sed ego elegi vos, et posui vos ut eatis, et fructum afferatis; et fructus vester maneat: ut quodcumque Patrem petieritis in nomine meo det vobis.

14. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que vos mando.

15. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor. Chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que aprendi de meu Pai.

16. Não fostes vós que me escolhestes. Fui Eu que vos escolhi, para que vades e deis frutos e os vossos frutos permaneçam; e tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vos dará.

Sumário. – O amor tira ao temor e à esperança o que se lhe mistura de amor-próprio.

A via de amor é a mais simples porque reduz tudo a um único motivo no qual os outros estão eminentemente compreendidos.

É a via mais doce. Ela agarra-nos pelo coração e o nosso coração é feito para amar.

II. Meditação

1. Leitura do santo Evangelho

2. Meditação.

O discípulo. – Bom Mestre, David, o vosso antepassado bem-amado, gostava de dizer a Deus: Senhor, ensinai-me o caminho a seguir, indicai-me, mostrai-me o vosso caminho. Eu também Vos digo: mostrai-me o caminho melhor e dai-me a graça de o seguir.

I. A via do amor é a mais perfeita

Reflexões. – O amor ultrapassa o temor e a esperança. O amor não destrói o temor nem a esperança, mas retira-lhes o que o /17 amor-próprio lhe pode misturar de visões mercenárias.

O amor não conhece habitualmente outro temor senão o temor filiar, isto é, o medo de desagradar a um Pai bem-amado. Sendo filho do amor, este temor é de uma atenção e delicadeza totalmente diferentes do medo da justiça divina e dos seus castigos. Leva a evitar as mínimas faltas, as mais pequenas imperfeições voluntárias. Em vez de comprimir e de gelar o coração, alarga-o e aquece-o. Não causa nenhuma perturbação, nenhum alarme; e mesmo quando escapa alguma falta, reconduz docemente a alma ao seu Deus através de um arrependimento tranquilo e sincero. Procura acalmar-se e reparar abundantemente da mágoa que se lhe pôde causar.  De resto, não se inquieta nem perde a confiança.

O amor tira também à esperança o que ela tem de demasiado pessoal. Aquele que ama não sabe outra coisa senão contar com Deus, nem fazer boas obras principalmente com o objetivo de acumular méritos; e por este nobre desinteresse, merece incomparavelmente mais. Esquecendo tudo o que fez por Deus, não pensa noutra coisa senão em fazer ainda mais. Não se apoia sobre si mesmo; visa a recompensa celeste menos sob o título de recompensa do que como uma garantia de amar o seu Deus com todas as suas forças e de ser por Ele amado durante a eternidade. Sem excluir a esperança, que lhe é natural, considera a felicidade mais do lado do bom agrado do seu Deus e da sua glória que lhe pertence do que do lado do seu próprio interesse. E quando o amor está no seu ponto mais elevado de perfeição, estaria disposto a sacrificar a sua felicidade própria à vontade divina, se exigisse dele este sacrifício. Coloca a sua felicidade no cumprimento desta vontade.

O Salvador – O coração dos Santos atingiu mesmo sobre a terra este grau de pureza. É a disposição dos bem-aventurados no céu. É preciso, portanto, que o amor seja purificado a este grau neste mundo, ou no outro pelas penas do purgatório. Há, portanto, que deliberar sobre esta escolha? E quando a via do amor não tivesse outra vantagem senão a de nos isentar do purgatório ou de lhe abreviar consideravelmente a duração, poderíeis hesitar em abraçá-la?

II. É a via mais simples

Servir o seu Deus por amor é a via mais simples, porque ela reduz tudo a um único motivo dominante, onde todos os outros estão eminentemente compreendidos. Se amais a Deus, temê-lo-eis com o temor que lhe é mais /18 útil. Se O amais, esperais nas suas promessas com a confiança mais firme, e tendes a certeza da sua execução, tanto quanto isso é possível na terra. Se O amais, já não tendes necessidade de pensar na aquisição de cada virtude em particular; o exercício do amor encerra-as a todas e fá-las praticar pelo seu motivo, de um modo mais elevado e mais perfeito do que se as exerciteis cada uma pelo motivo que lhe é próprio.

O amor dispensa-vos de uma multidão de métodos e de práticas, que a maior parte das almas procuram com tanta diligência, apegando-se ora a um ora a outro, e que não fazem senão embaraçá-las, inquietá-las e atrasá-las no caminho da santidade.

O amor só tem um método, o de seguir o impulso da graça, que nos leva a amar. Só tem uma prática, que é de amar em todo o tempo, em todo o lugar, em toda a situação. Só tem um ato ao qual todos os outros se reportam; um motivo, amar porque ama; um fim, amar por amar.

Que há de mais simples? Mas há algum meio de perfeição que esta simplicidade não abrace? Há algum que não empregue excelentemente, e de que não retire mais proveito, a não ser que a alma se ficasse neste meio considerado em si mesmo?

O Salvador. – A simplicidade da via do amor aproxima a alma do estado dos bem-aventurados, que não veem o seu Deus senão para o amarem. Se lhe acrescenta a esperança, é porque ainda não está como os bem-aventurados na posse de Deus. Mais ainda, esta simplicidade aproxima a alma do estado de Deus mesmo, que não se conhece senão para se amar e no qual o amor é o termo das emanações divinas.

III. É a via mais doce e mais fácil

Servir o seu Deus por amor é também a via mais doce. Ela agarra-vos pelo coração e o vosso coração é feito para amar. Conduz docemente, mas muito eficazmente a vossa vontade para o que Deus deseja. O amor coloca o coração perfeitamente á vontade, o que nenhum outro sentimento poderia fazer. O medo constrange; a esperança não está totalmente isenta de um certo regresso à inquietude; o amor não conhece nem os tormentos do medo, nem os alarmes da esperança reduzida a si mesma.

O amor inspira a alegria, que é o segundo fruto do Espírito Santo, porque a caridade é o primeiro (Gal 5, 22). E que alegria! Uma alegria pura, uma alegria /19 íntima, inalterável, uma alegria que é o antegozo da dos Bem-aventurados. O amor mantém a alma na paz, que é, depois da alegria, um fruto do Espírito Santo. O amor nunca causa perturbação. A perturbação da alma tem três fontes: ou a má consciência, ou o amor-próprio, ou o demónio. O amor mantém a consciência no melhor estado; trabalha sem cessar para destruir o amor-próprio; despreza as negras sugestões do demónio; resiste-lhe, triunfa sobre ele. Deus é a paz mesma e como não O possuímos aqui em baixo senão pelo amor, o amor é também o único meio de gozar a paz.

É também a via mais fácil. Certamente, se há uma disposição que nos possa facilitar a prática da virtude, é, sem contradição, o amor, que, pela sua natureza, é nobre e generoso, ao qual nada custa, desde que se trate de agradar ao objeto amado, e que está pronto para tudo sofrer antes que de lhe desagradar.

Se o amor terrestre mesmo, aquele que tem a sua fonte na natureza ou que inspira a paixão, torna o homem capaz dos maiores esforços em favor de um pai ou de um esposo, que não há de então esperar-se do amor sobrenatural, que tem por objeto um ser infinitamente amável, acendido no vosso coração pelo vosso Deus mesmo, e que é fortificado por todo o poder da graça? Nós fazemos de boa vontade aquilo de que gostamos. O amor fecha os olhos às dificuldades; triunfa sobre os obstáculos; lança-se através dos perigos; sacrifica os seus interesses; torna capaz de tudo e crê que tudo lhe é possível.

O esposo do Cântico vo-lo diz: Nada para o amor, nem os rios, nem as torrentes; e, se for necessário dar tudo o que se tem pelo objeto amado, considera tudo isso como nada (Cant. 8).

Margarida Maria dizia também, perante os sacrifícios a fazer: «Que temes tu, ó minha alma? Tu levas o Coração de Jesus e o seu amor; é o tesouro, a força, a alegria do céu e da terra».

O Salvador. – Vós amastes até agora objetos terrestres e experimentastes que, de facto, o amor permitia-vos fazer à vontade o que não teríeis feito sem ele. O meu amor teria menos poder sobre vós do que o de uma vil criatura? Teria menos atrativos? Mereci menos a vossa afeição? Encontram menos satisfação em agradar-me? E, se for necessário considerar o vosso próprio interesse, podeis esperar a vossa felicidade de um outro amor que não do meu? Dai-me, portanto, o vosso amor. Tenho sede de ser amado e é por isso que vim manifestar o meu Coração./20

Afetos e resoluções

Ó meu bom Mestre, porque não Vos amei mais cedo! Eis o meu coração, entrego-vo-lo e vos deixo como seu senhor. Tomai-o, dilatai-o, enchei-o com o vosso amor. Encorajado e fortificado pelo vosso amor, corri na via dos vossos mandamentos. Recordar-me-ei muitas vezes dos vossos benefícios para alimentar no meu coração o fogo sagrado da vossa caridade.

Ramalhete espiritual

Viam mandatorum cucurri cum dilatasti cor meum (Ps 118).

Jam non dicam vos servos. Vos autem dixi amicos (Jo 15).

Si diderit homo omnem substantim suam pro dilectione, quase nihil despiciet eam (Cant 8).

– Corri na via dos vossos preceitos quando dilatastes o meu coração (Sl 118).

– Já não vos hei-de chamar servos. Vós sois meus amigos (Jo 15).

– Um homem que ama sacrifica facilmente tudo o que tem ao seu amor (Cant 8)./21

Tradução e colaboração: Pe. Luís Theuws, scj

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