Meditação de Padre Dehon para o mês de julho

Prezados Confrades.

A Primeira Sexta-feira do mês de julho já passou. Mesmo assim quero-lhes mandar a quarta Meditação de Padre Dehon de suas Meditações da VIDA DE AMOR: O PRECEITO DO AMOR. Vale a pena de lê-la e meditá-la.

Contem com minhas orações.

Um grande abraço, Pe. Luis Theuws, SCJ

QUARTA MEDITAÇÃO

O PRECEITO DO AMOR

I. Preparação para a vigília

Leitura do santo Evangelho: Mt 13

34. Pharisaei autem audientes quod silentium imposuisset  sadducaeis, convenerunt in unum.

35. Et interrogavit eum unus ex eis legis doctor, tentans eum.

36. Magister, quod est mandatum magnum in lege?

37. Ait illi Jesus: Diliges Domin

um Deum tuum ex toto corde tuo, et in tota anima tua, et in tota mente tua.

38. Hoc est maximum et primum mandatum.

34. Os Fariseus, sabendo que Ele tinha reduzido ao silêncio os Saduceus reuniram-se.

35. Um deles, um doutor da lei, interrogou Nosso Senhor para o tentar.

36. Mestre, qual é o maior mandamento da lei?

37. Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito.

38. Aqui está o maior e o primeiro mandamento.

Sumário. – O pecado tornou este preceito necessário para que nós amemos o nosso Criador e o nosso Pai.

Ele é o nosso Senhor, o nosso criador infinito e todo poderoso. No entanto, não pede somente de nós o temor, mas também o amor.

Ele é o nosso Deus, o nosso soberano bem. Recebemos d’ Ele tudo na ordem da natureza, temos tudo a esperar d’ Ele na ordem da graça e da glória: é portanto um dever tão justo como doce este de o amarmos.

Como é vantajoso e premente este amor que eleva o nosso coração até Deus e que assegura a nossa salvação!

II. Meditação

1. Leitura do santo Evangelho.

2. Meditação

O discípulo. – Falai, Senhor, o vosso humilde servo escuta. Devíamos amar-vos espontaneamente. Vós sois o nosso Deus e o nosso tudo. Mas porque a nossa pobre natureza se desviou do bem pelo pecado, /26 ordenai, mandai que vos amemos, e reconduzi-nos aos vossos pés onde havemos de encontrar a felicidade prestando-vos o dever do nosso amor.

I. O preceito tornou-se necessário no seguimento do pecado

Reflexões.  – Vós não devíeis ter necessidade deste preceito. Esta inclinação estava no fundo do vosso ser. Amar a Deus, era o grito da natureza ela mesma depois da criação. Que necessidade havia de vos ameaçar com o inferno, se não amásseis o vosso Deus, como se não o amar não fosse uma pena demasiado grande e mesmo a maior de todas!

Sim, mas pelo pecado a vossa natureza afastou-se do seu próprio fim. É hoje, infelizmente, uma natureza degradada e desencaminhada, e este mandamento e estas ameaças tornaram-se necessárias. E o que representa o cúmulo à vossa humilhação, é que, apesar deste preceito absoluto e das ameaças terríveis, ainda não sabeis amar, tendes tanta dificuldade em amar e amais tão fracamente a Deus, enquanto o vosso coração se agarra com furor a tantos objectos estranhos a Deus. Humilhai-vos e haveis de meditar com fruto o preceito que Deus vos deu.

Observai primeiro o que Ele disse, que é o primeiro e o maior dos preceitos. É o primeiro: não há e não pode haver nada antes dele; está necessariamente à cabeça de todos os outros. É o maior pela majestade do seu objecto, trata-se de Deus; pela nobreza do sentimento que comanda, trata-se do amor; pela extensão da sua matéria, compreende tudo  e tudo a ele se refere; pelo seu fim, que é a glória de Deus e a felicidade da criatura; pelo rigor da sua obrigação, de que nada pode dispensar-se, em nenhum tempo, em nenhum lugar, em nenhuma circunstância; pela pena que arrasta consigo a sua infracção, a infelicidade do homem que o viola.

O Salvador. – Sim, é um preceito rigoroso, mas foi o meu amor por vós que mo ditou.

II. É um preceito tão doce como justo

É o teu Senhor e o teu Deus que deves amar. É o Senhor por excelência, o Senhor único, ao qual este nome pertence de uma maneira incomunicável; é o Senhor diante do qual os outros senhores e mestres tremem e reconhecem que mais não são do que nada, que recebem d’ Ele a sua autoridade, e que não devem usar dela senão em seu nome, segundo as suas intenções e para a sua glória. É o Ser supremo, o único /27 grande, o único perfeito, o único existente pela necessidade da sua natureza, o único infinitamente amável em si mesmo e por si mesmo.

Pobre e vil criatura, o temor e o respeito deviam manter-te aniquilado diante d’ Ele; Ele quer que tu O ames, que tu aspires às suas confidências, à sua familiaridade mais íntima; que o amor te faça entrar em sociedade com as suas imensas riquezas, que tu partilhes com Ele a sua glória e a sua felicidade.

Ele quer isso tão ardentemente como se isso fosse necessário à sua felicidade. Abaixa-se até ti pedindo-te o teu amor para te elevar até si e te consumar na sua unidade. Que inefável condescendência! Que incomparável favor!

Ele não aceita o teu temor, se ele não te conduz ao amor; não se sente lisonjeado com a tua homenagem, se não é o amor que a dita.

Preveniu-te, e não pede o teu amor senão depois de te ter dado testemunhos incompreensíveis do seu.

Amarás o Senhor teu Deus. Mas o teu Deus, é o teu soberano bem, o teu único bem. Fez-se para o possuíres, dá-se a ti. É para ti, se O amas, e na proporção em que O ames.

Teu Deus: na ordem da natureza, criou-te, fez-te tudo o que tu és. Conserva-te em cada instante. A sua mão poderosa que te tirou do nada impede que nele não caias de novo pelo teu próprio peso. Recebes d’ Ele todos os bens de que gozas; não podes esperar senão d’ Ele todos aqueles que esperas; são menos os frutos da tua indústria do que da liberalidade e das atenções da providência divina. Mas que é tudo isso  em comparação com o valor do teu Deus? O universo há-de passar e o teu Deus te restará; se tu possuis o teu Deus, tu és mais rico do que se dispusesses da natureza inteira.

É  o teu Deus na ordem da graça. Tinha-te colocado, na pessoa dos teus primeiros pais, num estado ao qual não terias podido aspirar. E quando decaíste deste feliz estado pelo pecado, restabeleceu-te ainda mais vantajosamente adoptando-te como seu filho na pessoa do seu Filho único. Dá-te abundantemente todos os socorros para chegares ao teu fim. Perdoa-te de cada vez que vens ter com Ele depois de O teres ofendido e é Ele que te solicita para voltares e que dá os primeiros passos. Que motivo não tens tu para amar aquele que, não tendo nenhuma necessidade de ti, por primeiro te amou assim para que tu por tua vez o ames também!

Ele quer ser ainda o teu Deus na ordem da glória. Destinou-te à eterna posse de si mesmo e à partilha da sua própria felicidade. Elevará a tua inteligência à capacidade de O veres face a face; alargará o teu coração  para que possas nele receber as torrentes de um deleite puro e infinito. /28

O Salvador. – Aqui está Aquele que tendo-te amado desde toda a eternidade e querendo amar-te ainda durante a eternidade te ordena que o ames no curto espaço desta vida, para conseguires vê-lo, amá-lo e possuí-lo para sempre. Vais então descobrir que este mandamento não é doce nem fácil?  Não vim ainda manifestar-te o meu Coração  para te tornar o preceito do amor mais fácil e mais atraente?

III. Como este preceito é vantajoso e premente

Considera ainda como este preceito é vantajoso e premente. Este amor eleva e enobrece a alma. O teu coração aperfeiçoa-se exercitando-se neste grande objecto onde descobre sem cessar belezas deslumbrantes. Que nobres pensamentos o espírito humano vai colher na divindade! Que rectidão e que sabedoria o homem adquire ao aplicar-se a julgar as coisas segundo Deus! Como deve ser puro e santo o coração que ama aquele que é a pureza e a santidade por essência! Que paz, que alegria se encontra no amor! Que contraste com a alma que se demora no amor das criaturas terrestres e grosseiras!

Como este preceito é urgente! Tu estás sempre à porta da eternidade. Só depende de Deus que tu nela entres a todo o instante. Se tens o seu amor no coração, estás salva, se não o tens, estás irremediavelmente perdida.

O Salvador. – Tu não sabes se és digno de amor ou de ódio, se tens a graça santificante e a caridade no grau suficiente, e qual outro meio de dela te assegurares a não ser consagrares deste o presente o teu espírito e o teu coração ao amor de Deus?

O teu grau de glória e de felicidade no céu há-de corresponder ao grau de amor que tiveres tido na terra, será que quererias como os medíocres e os indolentes aspirar apenas aos últimos lugares, com o risco de ser totalmente excluída?

Finalmente o céu está aberto apenas à caridade pura. Quando mais estiveres afastada na morte, tanto mais longa será a tua purificação nas chamas do purgatório. Que loucura não trabalhar para se subtrair a estas longas e terríveis penas!

Afetos e resoluções

Vós sois o meu Deus, meu tesouro e meu tudo. Amastes-me por primeiro e ordenais que vos ame para que eu encontre /29 neste amor a minha salvação e a minha felicidade. Este mandamento tem a sua fonte no vosso amor por mim. É tão doce quanto justo. A lei que me impõe fará a minha felicidade nesta vida e na outra. Quero observá-lo em cada uma das minhas acções.

Ramalhete espiritual

Diliges Dominum Deum tuum ex toto corde tuo (Mt 22).

Hoc est maximum et primum mandatum (Mt 22).

Et si habuero prophetiam et noverim mysteria omnia et omnem scientiam… caritatem autem non habuero, nihil sum (1Cor 13).

– Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração (Mt 22).

– Este é o maior e o primeiro mandamento (Mt 22).

– Se tivesse o dom de profecia e possuísse todos os mistérios e todas as ciências, se não tiver caridade, não sou nada (1Cor. 13)./30

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Uma resposta para Meditação de Padre Dehon para o mês de julho

  1. Antonio Campos Moreira disse:

    Concordo plenamente com o Sr. Pe Dehon, sem amor , sem compaixao, sem beleza interior, sem
    abrirmos o nosso coraçao, nao conseguimos o perdao de deus!
    Antonio Campos Moreira

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