Refletir sobre Maria hoje

             Você já percebeu que a figura de Maria é um elemento característico do cristianismo católico? Maria aparece no imaginário popular especialmente como a ‘santa poderosa e bondosa’ que intercede por nós, a ‘mãe divina’. A sua proximidade não se define pela semelhança conosco, mas sim pela sua capacidade divina de vir em auxílio de seus filhos. Grande parte das manifestações devocionais gira em torno da oração de súplica, da fé como entrega, do pedido de socorro em situações de necessidade e angústia.

            Percebemos que hoje é um tanto difícil para a maioria dos católicos perceber Maria como uma mulher do Povo de Deus pobre e simples, como uma mulher corajosa, decidida e consciente que seguiu seu filho Jesus. Um dos grandes desafios da mariologia está na busca do resgate da dimensão humana e existencial de Maria, articulando-a com a sua condição de filha do Pai escolhida para ser a mãe do Filho Encarnado pela graça do Espírito Santo.

A figura de Maria sofre de certa ambigüidade dentro do catolicismo popular. De um lado, ela está muito próxima, pois ouve os clamores dos seus filhos e vem em seu auxílio. De outro lado, está distante como referência humana porque é vista como “santa demais” para ser tomada como figura inspiradora de certos valores. Como “a santa”, parece alguém que não passou por dificuldades humanas. Perde-se assim a trilha da peregrinação espiritual de Maria, do caminho que ela fez na fé, na esperança e no amor.

            Na pluralidade e diversidade do catolicismo atual, há um esforço para descobrir outras perspectivas de Maria. Nos últimos anos procurou-se valorizar a figura humana e profética de Maria, como sinal da opção preferencial de Deus pelos pobres. Resgatou-se sua condição de mulher que, oprimida por uma sociedade patriarcal, desponta corajosamente como protagonista e mulher profética. Maria aparece como educadora e discípula de Jesus, membro importante da comunidade dos que se empenham na construção do Reino de Deus.

            Na América Latina e no Caribe, onde o catolicismo vive um embate com muitas igrejas evangélicas, especialmente as de caráter proselitista e pentecostal, cada vez mais Maria se torna um símbolo da identidade católica. Isto não é problemático, desde que se mantenham abertas as portas de diálogo com outras igrejas cristãs que se disponham a fazer um caminho conjunto.

            Hoje, em várias partes do mundo, a figura de Maria tem sido utilizada propositadamente por alguns grupos católicos, a serviço de um questionável projeto evangelizador. Volta-se a exaltar os privilégios de Maria, prega-se que a oração do rosário é obrigatória, utiliza-se equivocadamente o dogma da virgindade para justificar preceitos de moral sexual, divulgam-se pretensas aparições de Maria e suas mensagens, como se fosse o quinto evangelho. Exagera-se na promoção do culto a Maria, que, associado à adoração ao Santíssimo Sacramento e ao culto personalista ao papa, são consideradas as únicas características do cristianismo católico.

            Neste contexto, um estudo sobre Maria deve nos ajudar a conhecer “quem é essa mulher” e iluminar uma prática pastoral humanizadora, que seja Boa-Nova para homens e mulheres do nosso tempo.

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