OS DOGMAS MARIANOS

  • Os Dogmas

            Os dogmas cristãos não são verdades de difícil compreensão, na área da doutrina ou da moral, determinadas pela autoridade máxima da Igreja, que devem ser acolhidas cegamente, sem questionamentos. Na Igreja os dogmas são importantes, porque ajudam os cristãos a se manterem fiéis na fé genuína do cristianismo. “Os dogmas são como placas que indicam o caminho de nossa fé. Foram criados para ajudar a gente a se manter no rumo do Santuário vivo, que é Jesus” (CNBB. Com Maria, Rumo ao Novo Milênio. pág. 81). “O dogma nasce na Igreja, que acolhe a Palavra de Deus, aprofunda e evolui na compreensão do dado revelado”.

            A revelação de Deus chegou a seu ponto máximoem Jesus Cristo. Jánão há mais novos livros revelados a serem escritos ou novas verdades divinas a serem comunicadas. Jesus, porém, nos deixou o Espírito, que nos conduz à verdade plena. O Espírito recorda o que Jesus nos disse e nos ajuda a compreender com mais profundidade a revelação divina e a verdade de nossa fé (Jo 16, 12-13). Portanto, a interpretação da revelação continua aberta. A Igreja, no correr dos seus quase dois mil anos de existência, assemelha-se a um grande rio, no qual as águas da única fonte, que é a Bíblia, vão se enriquecendo com a Tradição. Cabe ao magistério, os bispos unidos ao papa, regular esse processo de interpretação e evolução, que as comunidades produzem no correr de sua história em diferentes épocas e culturas. Os dogmas centrais do cristianismo são, ao mesmo tempo, infalíveis e reformáveis: infalíveis na verdade que comunicam e reformáveis na sua formulação humana e na necessidade de interpretação.

O termo “dogma” provém da língua grega, “dógma”, que significa “opinião” e “decisão”. No Novo Testamento, é empregado no sentido de decisão comum sobre uma questão, tomada pelos apóstolos (cf. At 15,28). Os Padres da Igreja, antigos escritores eclesiásticos, usavam dogma para designar o conjunto dos ensinamentos e das normas de Jesus e também uma decisão da Igreja. Paulatinamente, a Igreja, com o auxílio dos teólogos e pensadores cristãos, precisou e esclareceu o sentido do dogma. Na linguagem atual do Magistério e da Teologia, o ‘dogma’ é uma doutrina na qual a Igreja, quer com um juízo solene, quer mediante o magistério ordinário e universal, propõe de maneira definitiva uma verdade revelada, em uma forma que obriga o povo cristão em sua totalidade, de modo que sua negação é repelida como heresia e estigmatizada com anátema.

Definidos pelo magistério da Igreja de maneira clara e definitiva, os dogmas são verdades de fé, contidas na Bíblia e na Tradição. “O magistério da Igreja empenha plenamente a autoridade que recebeu de Cristo, quando define dogmas, isto é, quando, utilizando uma forma que obriga o povo cristão a uma adesão irrevogável de fé, propõe verdades contidas na Revelação divina ou verdades que com estas têm uma conexão necessária” (CIC 88).

Os Dogmas Marianos

Os dogmas marianos foram conquistas históricas e teológicas do cristianismo: fazem parte do patrimônio e da doutrina da Igreja, brotaram do senso sobrenatural dos fiéis, foram formulados pela Igreja, possuem seu fundamento na Sagrada Escritura, revelam a fé mariana dos cristãos vivida na liturgia e na devoção… são um sinal da presença do Espírito que conduz a Igreja no aprofundamento da verdade de fé acerca do significado da pessoa e missão da Virgem Maria Mãe do Senhor na História da Salvação.  Os dogmas marianos iluminam a vida espiritual, doutrinal e pastoral dos cristãos. “Os dogmas são luzes no caminho de nossa fé, que o iluminam e tornam seguro”.

            “Os dogmas marianos glorificam Maria. Ela é exaltada precisamente em sua insignificância e simplicidade, e é por intermédio dos insignificantes, dos pobres — como Maria e os que ela declara libertados — que o Reino se torna realidade entre nós. Em toda a longa tradição cristã, os dogmas marianos concentram nossa atenção na glória de Deus que brilha sobre a mãe de Jesus”.

A Igreja possui quatro dogmas que afirmam verdades de fé acerca de Maria: Maternidade Divina, Virgindade Perpétua, Imaculada Conceição e Assunção aos Céus. Esses dogmas constituem verdades que os cristãos aceitam, aprofundam, proclamam e vivenciam na comunidade de fé ouvindo a Palavra, interpretando os sinais da história, abertos à inspiração do Espírito e celebrando a ação salvífica de Deus em Maria de Nazaré. Os quatro dogmas marianos podem ser claramente divididos em dois grupos, com base tanto em seu conteúdo quanto em seu processo evolutivo de definição pela Igreja. A fé da Igreja na maternidade divina e na virgindade de Maria está inseparavelmente ligada à fé em Cristo – esses dois dogmas foram definidos nos primeiros séculos do cristianismo (séc. V-VI). Os dois dogmas marianos modernos (definidos nos séc. XIX e XX), Imaculada Conceição e Assunção, se fundam indiscutivelmente na dignidade e no significado da Virgem Mãe de Deus.

            As causas que agiram sobre o desenvolvimento do dogma mariano na Igreja antiga podem reduzir-se a quatro complexos de fatores. Em primeiro lugar, a necessidade, constitutiva da identidade cristã, de professar a verdade cristológica (Jesus Cristo é homem e Deus, uma só pessoa etc); em seguida, a exigência de se defender essa mesma verdade do ataque das heresias; em terceiro lugar, a procura de um modelo significativo de consagração da criatura ao Criador; enfim, o desenvolvimento progressivo do culto de Maria, com o conjunto de vivência espiritual por ele expresso e suscitado.

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